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Monday, January 28, 2008



FETICHE

teus olhos cruzam tem hora
com o feixe de luz que vem de fora
e neles passam as frases
dos letreiros da cidade

su sabor
24 horas

dos olhos as palavras são refletidas
no lençol branco como se
fôssemos propaganda
ou um tipo de brincadeira
em cor

começamos e
rimos fazendo sexo
me exibo, infernal e nua
novo nome e
corpo de neón

como a garota da TV
invento um 0800
e ele me compra

mi dueño
todo el tiempo



(imagem de Man Ray)

Wednesday, January 23, 2008

DAS COISAS QUE TÊM MEDO
E OUTRAS NÃO


I

Ela dá passos cada vez mais desajeitados,
tem um rosto bom para lesmas
ou praqueles bichos miúdos de terra funda
(que só se arrastam pra baixo e não brincam).
Tia Lúcia dizia que gente assim,
que vai ficando feia de medo,
não é coisa de estética
tem problema é na largueza das idéias.


II

Construi em menos de três horas
uma parede verde,
outra vermelha,
mais uma verde
pro meu pensamento fazer zombaria
e caminhar todo dia em uma região -
sem lua, flor, pedra, frutas,
água, música e seres da floresta,
porque minha natureza é nova

lá existem apenas ventos
com a minha temperatura.


III

Não sei das técnicas de tirar susto de gente
se sacolejo, assopro, vestido sexy
troca de sangue, sussurros sujos na cama
mas se for espírito encostado,
ouvi dizer que se chamar pelo nome (quatro vezes)
acaba descobrindo que eles quem querem fugir
da idéia fixa do tal vivo de precisar estar com mais de um,
por ser tão arruinado.

Wednesday, January 16, 2008


HAPPY HOUR

a menina tinha os pés tortos
um flertava com a saída
o outro era careta
ela,
esperta que só,
era sempre meio-dia
e cinco
depois fora do expediente

Monday, January 14, 2008

PAN PAN PAN RAN RAAAAAAN
PAN RAN RAN RAN RAN RANN
I CAN'T GET NOOOOOOOOOOO

Limpando a caixa de e-mails, encontrei uma matéria que escrevi para um site de publicidade há uns 4 anos atrás. Uma matéria nervosa. Trabalhei durante um bom tempo com redação publicitária em Uberlândia/MG, onde nasci e morei até 2005, mas nunca tive o menor (menor!) tesão para trabalhar em agências da cidade. Achava a organização interna provinciana, aquele mercado todo dançando ula-ula para poucas grandes empresas, pouco barulho, salário vergonhoso. O que me incomodava mais era ser "cúmplice" de uma mentalidade que menosprezava o trabalho da área de redação. Eu e Ana, as duas únicas redatoras da última agência que trabalhei, tivemos alguns embates sérios com o patrão e os dinossauros do Corel e do Photoshop. No máximo fui apelidada de Joana D'arc até ser demitida na semana em que eu iria pedir demissão para procurar emprego no Rio, onde trabalho atualmente como produtora de TV. Pois é, voltando à matéria, ri muito das passagens em que meu ódio beira a infantilidade (ahan, eu queria mudar o mundo!), mas há trechos de arrepiar:

Aqui, a dupla de criação é um nome que copiamos nas aulas da faculdade, dentro das agências sobra uma cadeira ao lado do profissional da arte visual. O layout é criação, o texto é visto como frases copiadas do "Minutos da Sabedoria".

O atendimento não é quem toma café com o cliente, é quem argumenta, defende as propostas de onde trabalha, sustenta a criatividade da criação pontuando os efeitos da peça, é quem leva propostas mais interessantes ao cliente e, com muito tato, expande a compreensão do mesmo sobre a comunicação do seu próprio negócio. Se o cliente entendesse de propaganda, qual seria o papel da agência? E, para aproveitar, atendimento é também quem luta para pegar um briefing decente. Parece coisa de Hollywood, não? Para a redação, o briefing é uma linda fantasia, como os unicórnios que jurávamos existir na infância.

O assunto aqui se confunde com uma espécie de manifesto, mas já é hora da redação ser respeitada como criação até pro nível de exigência na hora da contratação aumentar e não sair em um outdoor da cidade a palavra saldável com esse "l" intruso e grotesco, como aconteceu; o verdadeiro profissional de redação não sabe somente lidar com o alfabeto: ele entende de cores, de imagem, de estratégias de marketing (...)

Wednesday, January 09, 2008

JAPÃO

boneca de plástico
medo trem
bala na cápsula
estar ausente
de suas graças
verbais
olhar tóquio
ler sozinha
a placa do desencontro
o pedido é
amanhecer-me
mesmo que não esteja
claro
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