A BATALHA
Jogo com ela enquanto tudo o que se aposta
é vivo
escrevo cada vez mais rígida
entre uma convulsão e outra,
a vírgula entre as linhas.
Aceito nessa hora o desafio de facas na avenida
numerosas setas apontando corpos
escarlates e torpes. Brindo confortável.
A glass of wine, please.
Bebo todos que abarrotados de cobiça me namoram.
Vôo certo,
na direção de um pedaço de carne humilhada sobre o chão
não há espanto, nasci com a música do clímax,
urubus amansados, véus sem fantasias,
o anúncio do meu próximo tango na revista
onde há beleza após o choque.
Uma tática, felinos e maçãs nos bolsos
contra os anseios vertiginosos do seu rosto juvenil
- esse ar ingênuo me implora, tão carente -
enquanto nas cenas reais
a nudez implode cenários, locais dos imensos bichos
vomita em seus gestos sutis, espécie rara de cólera
grito com ela, irrisória e óbvia
com meu ímpeto destruidor.
Ah! Essa ausência de um vestido branco
confessando a pele, reina agora
seu susto ao abandonar a infância, o rosto pálido
essa catequese saliente dos seus traços
evitando o estilhaço, a lama e a fome
onde me faço cada vez mais mulher.
Escrevi essa poesia em Dezembro de 2004. Encontrei-a hoje, dobrada dentro do livro "De Cor" do Armando Freitas Filho. Grande surpresa. Nessa época eu estava nos Estados Unidos, onde, passando pela CFM Gallery em Nova Iorque, conheci o trabalho da Anne Bachelier, artista francesa responsável pela imagem desse post. Sou muito encantada por ela. A exposição "Alice's Adventures in Wonderland" é maravilhosa, mas "Venetian Dreams" é de um poder ilimitado. Ela é foda, pessoal.





