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Monday, June 29, 2009

AOS UBERLANDENSES
CULTURA EM MOVIMENTO DECRESCENTE


A vida cultural em Uberlândia está engatinhando? Há 10 anos, na minha adolescência, as opções de diversão eram pouquíssimas além de duas boates que variavam sua programação musical entre pop rock e house. Existia um lugarzinho underground aqui, outro ali, que, na verdade, não durava mais de 6 meses. Como eu nunca fui fã de me jogar na pista ouvindo versões nojentas de Sweet Child O'Mine, extravasei todo o ânimo típico da idade em festas malucas na casa de amigos, ouvindo bandas independentes em quintais alheios ou envolvida em alguma produção mambembe para levar pra cidade quem a galerinha gostava. As intenções eram maravilhosas e, juro, geralmente nossas idéias davam certo.

Produzi a primeira festa aos 14 anos - lotação máxima, rock'n'roll nas caixas, policiais na porta, exatamente como eu gostaria que fosse a estréia do que mais tarde seria minha profissão. Nas mesas de bar, nos dias mais pacatos que o usual, falávamos absurdamente mal daquela realidade provinciana. Garotos vestidos de cowboy (calças Wrangler marcando as bolas) querendo agir como paulistanos, garotas metidas à moderninhas mas que na verdade carregavam na calcinha a rígida moral das famílias mineiras, uma explosão de sobrenomes que naquele tempo já eram sinônimos de falência, festas caras e importadas. Festa do Pijama, Festa da Marcinha, as festas do Clube Praia, as festas do Uberlândia Clube e as duas boates que já falei, London e Poison.

Era o que tínhamos e só hoje, exatamente hoje, descubro que éramos mais felizes quando precisávamos criar com muita honestidade outras alternativas. Depois que eu já estava morando sozinha no Rio de Janeiro, onde estou até hoje batalhando pelo meu ganha pão como produtora e roteirista, me contaram que abriram o Goma, espaço com uma programação bacana que alimentava o movimento independente.

A cidade parecia respirar aliviada. Além do Goma, os amigos daquele tempo que não fizeram as malas criaram zines, blogs, novas bandas ou as velhas foram pra frente. Tudo muito lindo, como comecei a acreditar depois de rápidas visitas. Os garotos gostavam de ser uberlandenses, as garotas eram mesmo moderninhas e falavam agora de Caio Fernando Abreu, os sobrenomes eram descartáveis, as festas rolavam como sempre sonhamos. Tanto que nós, da velha guarda, queríamos aproveitar a cena e, em pouco tempo, descobrimos que a negociação com o Goma é igual ou pior que a existente do outro lado da rua, no sobrevivente London. O slogan "Cultura em Movimento" começou a empacar aí, quando você, como produtor/entusiasta, apresenta um projeto legal mas precisa de parceria e bom senso, afinal irá lotar a casa com um artista que garante público, e eles querem apenas arrancar seu couro te chamando de brother. Tá, você pode me contar em voz alta que o capitalismo chegou há um bom tempo, que isso e aquilo. Certo.

Mas o que me deixa indignada são as máscaras. O London é um lugar escroto? É. Sempre soubemos disso. Sempre foi bastante claro que o interesse do Davi eram festinhas ruins mas que ficavam abarrotadas de adolescentes ouvindo covers horrendos. Surpresa pra alguém? O Goma usa maquiagem, observação que ouvi na última mesa de bar que sentei na cidade e que infelizmente sou obrigada a concordar. Meia dúzia de pessoas já comandam a programação de lá com festinhas hypes, DJs e músicos recebem um cachet ridículo e a desculpa é a mesma quando a gente não entende a equação deles (lugar sempre cheio = pouca grana no caixa?).

O Goma abrigou projetos admiráveis. Conexão Vivo foi uma parada válida. Chacal saiu do Goma comparando-o com o Bowery Poetry Club, mas eu aposto que esse arrebatamento se deu muito mais pela vibração da galera (essa que esperava há anos por um lugar decente pra mostrar o que faz, pra absorver outras pessoas, pra ouvir), pela decoração cult do lugar tão próxima dos points intelectuais das grandes cidades e porque Chacal não precisou confiar financeiramente na parceria com Goma e não ficou por lá tempo necessário para romper as cores fluorescentes das primeiras impressões. Voltei de Porto Alegre apaixonada pela cidade, pelos portoalegrenses, mas não sou capaz de desvendar em cinco dias como a cultura se move ali, os bastidores! O Rio adoece Chacal e Uberlândia me adoece porque lá é meu terreiro.

Em Abril organizei o lançamento de "dente de leão" no Goma, meu segundo livro, depois que um amigo disse que no lugar que eu já tinha acertado tudo, no Bonsai, o dono era esquentadinho e tinha tratado muito mal um casal homossexual. Abortei Bonsai e fechei um sábado com Goma. Eu e convidados ficaríamos na parte do bar, o lançamento iria até 22h (antes de começar a festa Pop!Justice) e eu não usaria funcionários extras da casa. O livro seria vendido no caixa, pago em dinheiro para não dificultar o acerto e 100% do valor seria meu. OK. O lançamento foi razoável porque eu criei muita expectativa antes de conversar com a galera nova, que despejava adjetivos engraçados para a capa do livro que era simplesmente P&B. Quando ouvi que a capa era soft, palavra que leio geralmente em embalagens de amaciantes, peguei a bolsa e fui pro bar de um amigo tomar umas. Mas a presença de algumas pessoas valeram ouro, só não fiquei totalmente satisfeita. Tenho o direito, poxa.

Além do vão que parecia existir entre o livro e a maioria das pessoas, aquela encenação que pouco me agrada, esse episódio me deixa particularmente decepcionada:

Gosto de música jamaicana e queria curtir com meus amigos antes do evento mais formal, então chequei a possibilidade de fazer na quinta anterior ao lançamento uma festa com Interferência Sistema de Som, sound system do Rio que gosto bastante, porque na época namorava um dos integrantes, ele já iria pra Uberlândia e o João topava ir mesmo sem o Goma custear a produção. Goma topou, claro. A gente pagaria 50% do equipamento, João arcou com sua passagem e 14 horas de viagem, hospedagem e comida na casa dos meus pais e investimos na qualidade da festa pagando sozinhos a gasolina do pessoal que traria de Uberaba o MC Eremita e do MC Puff. Tudo bem, aceitamos as condições pela diversão. No último dia da minha estadia em Uberlândia fui receber a porcentagem irrisória do ISS e a grana dos livros vendidos. A produção do Goma pagou menos de 50% do combinado dizendo que não tinha mais dinheiro no cofre, mesmo eu tendo ido no dia e horário que eles combinaram. Falaram que iam depositar o restante, sumiram, mandei e-mails, financeiro me respondeu que estavam sem grana esperando que depois do Festival Goma pudessem arcar com as responsabilidades, respondi à enrolação pedindo que pelo menos que não mentissem sobre o valor que eles pagam "só pra abrir a casa" porque eu sou produtora e por aquele valor conseguiria negociar até com Circo Voador. Enfim, até agora nada e quase 3 meses de atraso tem nome.

Sabe, um amigo me cobrou por eu não ter escrito um agradecimento ao Goma e achou que eu ter citado no blog apenas esse lance da capa significava não incentivar a cultura uberlandense que, segundo ele, é ainda uma criança e precisa ter a atenção cobrada com reserva. Respondi que se a cidade era mesmo uma criança sou daquelas mães que batem em público, mas hoje tenho uma outra percepção: A cultura em Uberlândia e a maioria dos envolvidos na sua divulgação quer que a cidade fale gugudada pra sempre. Uberlândia foi criança quando o pessoal ralou pelo Rock do Padero, palco montado no quintal de uma república onde a gente dançava hardcore de primeira com bandas da região. Essa ingenuidade que existiu na infância da cidade rendeu boas noites. Uberlândia cresceu, mas está aprisionada em um quarto (como o filho de Yubaba no filme "A viagem de Chihiro", he). Minha cidade já deveria ter uma cena repleta de profissionais, uma produção que combina horário e paga o cachet porque planeja o montante que está em seu cofre. Uberlândia merece uma produção cultural que responda e-mails, que ligue renegociando prazos, que não dê calotes. Uberlândia merece um Cultblog onde um colaborador não confira a autoria de um texto tosco à Veríssimo sem que isso passe pela séria averiguação dos editores. Uma pena já ouvir previsões sobre o fim do Goma assim que existir uma segunda opção. Nós somos exigentes sim, talvez porque há 10 anos tínhamos coragem de assumir a nossa bagunça. Mas eu não desisto, é sério. Nem de pegar a grana do caixa do Goma que é referente ao trabalho de dois músicos e uma escritora. Porra.

55 Comments:

Blogger Anderson Galhardi said...

é incrível o amadorismo que prevalece na cidade triangulina!
é tudo muito "brother" demais, camarada.

4:15 PM  
Blogger Luiz Casado said...

Foi tanta reclamação, tantos anos passando no nosso "dão", sofrimentos por ir em shows, festas e bandas das quais não gostávamos mas íamos pq sim, levávamos isso muito a sério, nunca deixamos a chama se apagar, era uma faísca, que ajudávamos a soprar pra queimar a floresta... Quando enfim, um rascunho da Obra, de BH surge, fiquei muito feliz, por gostar de algumas pessoas ali envolvidas mas o coletivo acho que está caminhando para os campos verdes de nossos três lados do nariz de MG.

5:45 PM  
Blogger lilith said...

Fiquei surpresa com a sua referência ao CultBlog, Cecília. Você é nossa colaboradora, ótima por sinal, e como tal sabe que o espaço dado aos nossos colunistas é livre. Nós não somos um site literário. Mas nós somos um site que faz questão de promover a cultura da nossa cidade e região, e de graça. Esse é o nosso ponto forte, Cecília, e que caberia ressaltar inclusive dentro do tema que vc tão bem explorou neste post. Achei injusto.

6:05 PM  
Blogger Marco said...

Parabéns pelo texto Cissa! Infelizmente não só de flores vive o meio independente/alternativo...mas felizmente temos pessoas como você que estão dispostas a fazer algo acontecer...e, claro, cobrar quando as coisas não saem como planejado, ou como combinado (o q é pior ainda).

10:04 AM  
Blogger MioLLo said...

Terra da descrença, ou vc curte sertanejo, pagode ou axé, ou caso contrario amigo esta ferrado!
Quer ser artista?! tente uma destas modalidades, porque pelo menos quem precisa sobreviver do que faz para dar continuidade a sua obra, vai conseguir receber sua parte..triste realidade.
Gente tenta, cada um a seu modo, mais União aqui em Uberlandia só se configura quando alguém pode favorecer o outro sem reciprocidade.. Principalmente se tratando da união artistas e promoters de eventos, realmente uma descrença..O artista mobiliza pessoas, realiza sua performance, a casa fica lotada, os bares vendem muito, e o dinheiro nunca aparece para o verdadeiro promotor do evento o artista..Mais é bem assim mesmo, coisa de 'brother', uma vergonhosa ''cultura'' em movimento.

10:19 AM  
Blogger Laís said...

Cecília, que legal iniciar essa discussão. Acho q é uma atitude de coragem, como poucos na cidade optam por ter! O Goma talvez tenha uma intenção legal, eu nem duvido, mas já está entregue ao destino comum de qualquer lugar de Udi. Má administração, produção falha e a bilheteria injusta é de dar nos nervos. Eu faço Letras na UFU e estudo teatro, sonho por um espaço cultural que ganhe grana sim, mas q tenha postura de incentivador, de produtor cultural. Goma virou boate e fico triste pelo atraso de 3 meses aí! O q mais me deixou indignada foi a "lilith" achar que pq os colaboradores são livres eles não tem compromisso com a veracidade das suas citações, fontes, referências. Por isso que diploma no jornalismo não garante nada.

10:21 AM  
Blogger Jake Borges said...

Eu acho que o maior problema é o Goma não ter um posicionamento.. Tem que decidir se é uma boate com programação pop e quase fixa, destinada a esse público ou se é um espaço que pode ser visto pelos artistas e produtores como um apoiador!
O duro é que pra maioria a imagem passada é que um grupo de amigos administra aquilo ali e fica restrito o espaço a uma programação contínua e repetitiva pra um público punk/indie que frenquenta todo fim de semana! É fato chegar lá e ver as mesmas pessoas, com o mesmo tipo de música (cabelo!) e programação.. seria mais justo abrir espaço pra diversidade e ver o Goma abranger mais do que o de sempre!

1:48 PM  
Blogger Camila said...

cissa... li tudo e não poderia concordar mais (ao menos com as partes que compartilho a mesma experiência).
e não é por puxa-saquismo que digo que sou sua fã. é por admirar sua coragem e esse pulso-firme elegante que dá o tom do que você escreve... e o pior é ver gente dando uma de amigo e tirando vantagem em cima de outros que têm a verdadeira intenção de promover um evento de qualidade numa cidade carente. carente do subversivo, do novo, do clássico, do sujo, da arte e da boa vontade.
mais impressionante ainda do que o atraso do seu pagamento (tão merecido!) é ver que algumas pessoas, por puro orgulho ferido e por literalmente vestirem a carapuça que nem lhes foi nomeada, vêm aqui ressaltar duas linhas de discordância enquanto existe um texto muito maior até mesmo que esse que você escreveu pra ser discutido.
nessas horas me dá uma vontade de perder a classe... mas não. paro por aqui e deixo mais uma vez o meu carinho e minha admiração para quem você é como pessoa e como artista.
beijos!

2:18 PM  
Blogger mariana said...

Li com respeito e atenção o texto da cecília.

Entendi as dificuldades de encaminhamento que ela teve com os envolvidos a respeito do seu evento. Acredito que se algo similar acontecesse comigo também colocaria ao coletivo as minhas críticas, talvez apontando outras questoes, mas o faria. Mas não consigo entender o mérito da crítica global a produção realizada nem por esse coletivo nem pela cena de uberlandia como um todo. Aliás me pergunto qual a extensão do conhecimento da cecilia sobre a cena de uberlandia? Acredito que por não conhece-la tao bem é que a autora se perde em alguns de seus argumentos...acontece. Aconteceu com a Cecilia e com o Goma.

Discutir o papel do coletivo e suas ações é o que de melhor poderia acontecer no final desse semestre, o Goma segue para seu segundo ano, e como a Jake colocou (e muito bem colocado) o coletivo ainda se perde dentro de uma linha de programação cultural e de ativismo cultural. E é confuso mesmo... ambas as frentes de ação são necessárias para a cena de uberlandia, aliás não só de Uberlandia como de qualquer outra cidade.

Veja o exemplo do Rio...programação cultural fervida, mas quem conhece sabe que é a cena que menos fomenta suas iniciativas independentes (aqui falando da musica). Tem a Rede Rio que tenta estabelecer um melhor cenário para as bandas, mas tire 05 minutos e converse com Rodrigo Lariu e Gustavo Leao, ninguem melhor para passar essas impressoes e as dificuldades de construção de uma cena carioca.

Volto para o Goma, a desorganização na produção, o atraso com alguns pagamentos, o dito "monopólio" de algumas figuras isso tudo são calos que só estao sendo discutidos hoje pq o coletivo encarou colocar esse processo como público, e para qualquer coletivo a adequação, seja de linha de ação seja de organização interna é uma questão processual.

Acredito que mais do que crítica passiva, baseada em fatos pontuais e diferenças pessoais é válido questionar se o caminho que esse coletivo está tomando leva a finalidade que ele se propoe... caso contrário, mudamos o caminho, porque a finalidade de construção cultural coletiva e abertura nos processos não vai mudar.

Salve O Goma, Uberlandia e seus agentes!
Decrescentes, Crescentes, em círculos e de cabeça pra baixo!

;)

bj,mari.

4:35 PM  
Blogger Talles Lopes said...

Querida Cecília,

Primeiramente gostaria de me desculpar publicamente pelo atraso no pagamento. Sem dúvida esta situação é muito chata, e acabou externalizando uma série de problemas e conflitos vividos pelo Goma e pela cena cultural uberlandense.
Para todos nós do Goma, sinceramente, isto é ótimo. Não temos problemas em admitir nossas fraquezas e erros, até por que, como todos devem saber, o Goma é um laboratório, formado por agentes livres e conscientes, dispostos a construir um modelo coletivo de organização, por isso nos autodenominamos Coletivo Goma. Não somos uma empresa, uma produtora, uma casa de show, pautada pela excelência do mercado, e pelo conceito de profissionalismo, mas estamos buscando melhorar nossa organização e gerenciamento, e fazemos isso para nos mantermos vivos, e isto se torna um desafio mais eminente já que segundo você já estaríamos com nossos dias contados.
Neste sentido, o seu texto não colocou nada que não soubéssemos. Contudo, acho que precisamos debater mais a fundo alguns pontos importantes, e acredito que para isso os coments da Jackie e da Mariana já apontam bons caminhos.
Também atuo culturalmente em Uberlândia a 10 anos, e me orgulho de ter construído algumas coisas significativas, ao mesmo tempo q cometi erros, mas sempre tive uma relação extremamente honesta e verdadeira com meus parceiros. Se não fosse isso não estaria a 8 anos trabalhando junto com o Porcas Borboletas e a 5 realizando o Jambolada, em parceria com Alessandro Carvalho e o coletivo Valvulado, e neste período vi uma cena cultural florescer com ações de diversos agentes. Vi a lei municipal de incentivo a cultura ser implementada, fomentando diversos projetos importantes para o desenvolvimento cultural de nossa cidade. Vi o nascimento e amadurecimento de grandes projetos culturais desenvolvidos pela Dicult e pelo SESC. Vi também a profissionalização de grupos artísticos como o Pontapé e o Bale de Rua. Vi a dança uberlandense exportar expoentes que hoje são reconhecidos internacionalmente como Wagner Schwartz e Vanilton Laka, com o suporte sólido do Uai Q Dança, e do Palco de Arte. Vi uma cena audiovisual brotar e florescer regada pela Nova Mídia, que este ano parte para a edição da 3ª. Mostra Perpendicular de Cinema. Vi nascer veículos de comunicação como o Cult Blog e o Páginas Vazias, além da valorização cada vez maior dada pelos veículos tradicionais, fruto do trabalho árduo de grandes jornalistas como a Adreana Oliveira. Vi o London manter-se vivo, e cada vez mais aberto para projetos independentes. Vi o Serjão abrir o Vinnil e manter-se como opção cultural a mais de dois anos, e diante deste cenário me senti confiante para encampar a criação do Goma Espaço Cultural, mesmo sem ter recursos e condições financeiras adequadas para isso, mas acreditando verdadeiramente no bom momento que estávamos vivendo, e nos parceiros que viam conjuntamente batalhando para construir uma cena cultural arejada e amadurecida. (continua)

6:06 PM  
Blogger Talles Lopes said...

(continuando) E muitas são as dificuldades, assim como as vitórias. Temos total consciência que precisamos melhorar, que precisamos nos organizar, que precisamos estreitar mais os laços com os atuais e os possíveis novos parceiros, que precisamos contemplar mais a diversidade cultural de nossa cidade, e que milhares são os desafios para quem se dedica a trabalhar pela cultura em nosso país, mas ao invés de ficar reclamando em bares sobre a realidade local, ou fazer as malas rumo ao grande centro, preferimos fincar o pé no centro da cidade e abrir as portas de nossa casa. E deste então, já são mais de 300 shows, com participação de bandas de todo as regiões do Brasil, e várias atrações internacionais, lançamentos de livros, exposições de artes visuais, performances, e experimentos em economia solidária como o Goma card, que externaliza as intenções coletivas de nosso trabalho. Tudo isso foi construído com um suporte de uma rede colaborativa nacional, o Circuito Fora do Eixo, reconhecido como o maior movimento cultural do Brasil neste século, e sentimos muito orgulho de termos colaborado para que Uberlândia se posicionasse definitivamente no mapa da música e cultura independente de nosso país.

Agora, vamos refletir juntos, qual seria a melhor estratégia para a construção de uma verdadeira cena cultural em nossa cidade:

Opção 1) Jogar tudo isso que foi construído na vala comum das reclamações e arrumar as malas para ser um grande produtor no eixo cultural.

Opção 2) Arregaçar as mangas e mesmo diante de todos os problemas e dificuldades fincar os pés nesta terra vermelha do Cerrado e trabalharmos conjuntamente para a construção de uma realidade cultural que nos contemple.

Nós do Goma escolhemos a opção 2, e contamos com todos os uberlandenses (artistas, produtores e expectadores) para coletivamente transformarmos nossa realidade cultural. As críticas sempre serão bem vindas, e o debate é a forma mais honesta de construirmos isso. Como prova disso, iniciaremos na próxima semana em nosso blog (www.gomamg.blogspot.com) um balanço de nossas atividades neste 1 ano e meio, e contamos com a contribuição de todos para construirmos a partir daí um planejamento de programação para a casa, que seja melhor resolvido e atenda a enorme demanda que a diversidade de manifestações culturais e parceiros em Uberlândia nos exige.

Sabemos que nossa história está apenas começando, e que a trajetória é longa e cheia de obstáculos, e que os erros cometidos servem de alimento para todo este processo.E como diria o profeta: Atire a primeira pedra quem nunca pecou...

6:07 PM  
Blogger Rômulo said...

Mariana, o RJ é Humaitá Pra Peixe, sound system em favela, compositores levando suas novas letras pra Pedra do Sal, hip hop no Viaduto de Madureira, Batalha de R$1 na Lapa, além de milhares de blocos de carnaval q representam seus bairros ou um outro coletivo. E mais, mt mais. Não fale bobagem sobre a cena independente carioca e mt menos tenha como referência Lariu e Rodrigo Leão. Por favor! Nenhuma cidade tem o panorama ideal, isso é óbvio, mas aqui ñ é onde menos fomenta. Acredito q Cecília tenha uma extensão clara da cultura da sua cidade, aliás é ela a escritora q foi publicada por Porto Alegre e acolhida pelo Rio depois de viver lá alguns anos (Uberlândia tem editora independente, Cecília? Publicam poesia?) Qual o entendimento q ela deveria ter se as opções culturais e iniciativas são limitadas? Pelo o q entendi e acompanho aqui, ñ há surpresas ou ausência dela nos poucos grandes feitos culturais da cidade natal. Por não conhecê-la tão bem vc quem se perdeu. Já li elogios, já li críticas a respeito da cidade mineira que ela nasceu. A má produção não é discussão porque vcs decidiram expor ao público!! É ele quem aponta e adjetiva o trabalho de vcs, é ele que é o alvo da desorganização na produção, o atraso com alguns pagamentos, o dito "monopólio" de algumas figuras independente da postura do lugar!! Tlz o coletivo tenha q começar o papo enxugando o vocabulário neo-hippie pra fazer aula de marketing, branding, atendimento ao cliente, sei lá. Vamos pro papo reto: abertura processual é ñ responder e-mail e ñ ligar gentilmente pra um artista revendo prazo de pagamento? Isso é a tal abertura processual e construção cultural coletiva?!?!? Concordo com Laís, as intenções podem ser legais, tb ñ duvido, mas primeiro absolvam vcs desse tom divino ao trabalhar com a cena underground, principalmente Talles com sua opção dois emocionante. Sou responsável por um movimento independente vinculado à UFF e ñ ando de chinelos de couro achando que o produtor de novela optou pela fuga, pelo caminho mais fácil, não arregaçou as mangas!! O grande produtor do eixo trabalha pra caralho pra ñ morrer nesse mercado q tem mais 1.000 grandes produtores, amigos. Ele ñ está na cidade do interior disputando mercado com... quem? Saca? Esqueça esse tratamento louvável q destina aos agentes livres e conscientes e vire o foco pra excelência do mercado e profissionalismo... sobrevivemos assim, mostrando q iniciativas undergrounds, independentes, ñ são sinônimos de caixa de som ruim, pessoal chegando atrasado, cerveja quente, droga, 3 meses de atraso no pagamento ou pagamento de cachet em cerveja, entende galera? Precisamos ser profissionais msm no lado B da história. MTO profissionais. É assim q os festivais voltaram!! Não voltaram com amor, intençoes bacaninhas. É isso, q cresçam mt até não conseguirem enumeram as coisas boas q viram!!!!

8:56 AM  
Blogger MArcelo Pudim said...

Ola Cecilia, otimo texto!!! Essa indignação com certeza nao é só sua. Varias pessoas e artistas com certeza sente essa falta. O coletivo GOMA com certeza agitou a cena cultural da cidade, mais é preciso rever algumas posiçoes. COmo o Tales mesmo disse " a história está apenas começando, e que a trajetória é longa e cheia de obstáculos, e que os erros cometidos servem de alimento para todo este processo".
ótima iniciativa sua para promover o debate. Esperamos que todos esses erros sirvam realmente de aprendizado e que nao fiquem so no papo furado.

10:01 AM  
Blogger quandonãopodenãopode said...

Infelizmente concordo com tudo que está escrito neste texto,e vou além,pedindo aqui permissão para divulgar o mesmo no meu blog, devido a sua importância para reflexão da cultura em movimento.
Obrigado

12:47 PM  
Blogger Talles Lopes said...

Caro Rômulo,

Primeiro acho complicado vc se posicionar sobre algo q não conhece e ainda emitir julgamentos. Quem te disse que nossos eventos tem som ruim, tem cerveja quente ou falta de profissionalismo? Quem te disse que não respondemos emails e não honramos nossos pagamentos? Se fosse assim não estaríamos recebendo o Mundo Livre nesta sexta-feira 03/07 no Goma, como já recebemos vários outros grandes artistas brasileiros que saíram falando muito bem de tudo q viram. Se náo fosse assim eu não seria Secretario-geral da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes) e não teria construído grandes parcerias com produtores profissionais (termo que pelo visto vcs adoram)no Brasil inteiro. Agora por favor, Rodrigo Lariú e Gustavo Leão não serem referência deixa claro o quanto vc não respeita a própria cena de sua cidade. Agora se quiser conhecer nosso trabalho procure os outros artistas cariocas que já passaram pelo Goma, como o Canastra e o Do amor, e procure se informar. Fazemos o festival Jambolada que é reconhecidamente um dos maiores do Brasil pela sua qualidade e profissionalismo e não por ser neo-hippie. Se pensar coletivo é se hippie, prefiro ser hippie do que um yuppie que só pensa no seu próprio umbigo.
Aos demais espero vcs aqui no Goma para discutirmos tudo isso pessoalmente, pq se posicionar em blogs dizendo que as coisas estão erradas é fácil, dificil é trabalhar para as coisas melhorarem e, independentemente de nossos erros temos consciência que estamos fazendo nosso papel.
Para finalizar gostaria de te convidar para vir a Uberlândia conhecer nosso trabalho e aí fazer analises pautadas em algo q vc realmente conheça, pq pra mim tá claro que vc não conhece nada de nossa cena, e por incrível q pareça nem mesmo da sua.....

2:31 PM  
Blogger Talles Lopes said...

Para conhecerem um pouco da filosofia do Goma e nosso modelo de trabalho é só visitar o blog do Rogério Skylab, grande artista independente carioca que visitou recentemente o Goma. Lá tem uma longa entrevista com nosso coordenador de comunicação, fruto da ótima relação estabelecida entre o artista e o coletivo.

Acessem: www.godardcity.blogspot.com

Vamos debatendo.....

2:45 PM  
Blogger Rômulo said...

Sobre a cerveja quente e etc, ñ me referia ao Goma, apenas enumerei falhas que geralmente rotulam iniciativas independentes e com profissionalismo temos q escapar.
Há muitas referências cariocas nessa cena, Talles. Realmente não conheço o Goma, só expressei minha opinião com base no texto publicado e no posicionamento dos comentários. Tentei falar de um modo geral sobre essa cena tb, assunto amplo. Mas partindo do ponto que o atraso é verdadeiro e q 99% da opinião dos uberlandenses aqui que conhecem o Goma foi de total concordância com Cecília, acho q não preciso pedir outras referências sobre a atuação de vcs!! Pessoal de casa parece respirar aliviada agora que alguém abriu a boca, pô! Eles são mais importantes que o Do Amor... É claro q os erros podem ser excessões, claro!!! Sigam em frente, tirem o melhor desse papo, seja pessoalmente ou por blog. Não é fácil se posicionar aqui não, Talles, qdo há seriedade, boa intenção, argumentos relevantes. Não me subestime o meio de comunicação e a exposição que Cecília optou fazer. E neo-hippie é falar em abertura processual e construção coletiva enquanto não dá um telefonema pra uma pessoa que espera a grana do seu trabalho. Florear.
Boa sorte pra lidar com a insatisfação coletiva, Talles!

2:49 PM  
Blogger Djalma said...

engraçado a autora citar em seu texto os eventos da casa do Padero, e é legal ver hoje o mesmo Padero procurando o Goma e encontrando no espaço uma saida absolutamente viável pra produção do já tradicional HC Reunion, evento esse que (assim como outras centenas) contara com um enorme aporte financeiro do Goma, que vem em um ano e meio abrindo espaço pras mais diversas manifestações culturais da cidade. e é legal também ver um carioca bater no peito pra falar horrores da "grande cena underground" do Rio quando vários eu repito VÁRIOS artistas cariocas falam justamente o contrário. E quanto aos uberlandenses e uberlandinos (críticos e pedantes por natureza) porque não se movimentam afim de profissionalizar essa cena tão decrescente... ah é porque criticar é mais fácil.
quem já teve algum contato com a cultura HC sabe que quando alguma coisa não está boa, não está do seu agrado a sua obrigação é fazer diferente, fazer melhor, agir ao invés de reclamar. D.I.Y.
Problemas acontecem, em TODOS os lugares, mas na moral se a Uberlândia pintada por essa menina fosse verdadeira o Goma não estaria instalado onde está, não teria trazido os artistas que trouxe e não chamaria tanta atenção como chama, nem o Jambolada teria crescido como cresceu, nem o Arte na Praça teria conquistado o espaço que possui, não existiram Festival Goma, Festival Udi Rock, Coletivo Uberlândia Hard Core, Coletivo Valvulado, Nova Midia, CultBlog...

A me lembrei agora alguém citou a AObra de BH nos comentários: procure pelo Claudão e converse 5 minutos com ele sobre o Goma.

o interessante seria antes de disparar uma metralhadora de criticas sem sentido, baseadas em um fato isolado, conversar mais, investigar mais, e se informar melhor.

e como a autora disse ter ouvido por aqui: hoje realmente da gosto dizer que eu sou de Uberlândia (belorizontino de nascimento) mas Uberlândino de coração!

Pra quem realmente acompanha a cena sabe que hoje TUDO melhorou muito e como Newton já nos ensinava...

4:07 PM  
Blogger Talles Lopes said...

Rômulo, pelo visto vc é um cara inteligente, e deveria saber que as pessoas q lêem este blog são amigos da Cecilia, e não sei se 8 pessoas correspondem ao público do Goma. Não vi nenhum produtor, ou artista que já tenha trabalhado com a gente fazer comentários, com excessão do Pudim, que teve um posicionamento super generico e pra mim quis mais fazer graça pra Cecília do que se posicionar realmente, pq aqui no Goma ele diz outra coisa. Me espanta ver um público engajado tecendo críticas no blog, mas não se posicionando na vida real. Até pq para o público a coisa é muito mais fácil: se vc não gosta do lugar, é só não vir, e procurar outro lugar que te agrade. Mas a questão prinicipal é: existem outras opções? Eu acredito que fazer mais de 300 shows em 1 ano e meio é relevante. Eu acredito que democratizar a discussão é sádio pra cena, e acredito mais ainda que se vc não está satisfeito com algo deve se mobilizar pra mudar. Da mesma forma, que tem gente q não gosta, tem muitas que gostam, e é com elas que trabalhamos. Ninguém agrada todo mundo. Nem Cristo conseguiu isso. Agora, numa boa, quando vc aparece, fazendo afirmações tão conduntentes sobre um universo que mal conhece, com base em 8 comentários, isso passa uma postura muito arrogante, como na minha opinião foi a postura da Cecília tb. E o pior é a defesa inflamada de uma cena independente carioca que sabemos q é cheia de problemas. Falo isso pq viajo o Brasil inteiro e conheço muitos artistas e produtores cariocas. Agora se a referência for a Rede Globo e o universo vip/profissional carioca, aí não estamos mesmo discutindo cultura independente meu caro. Talvez se vocês procurassem enxergar as deficiências de vcs ao invés de manter uma postura soberba e arrogante, produtores como eu e Mariana estaríamos enxergando mais este mercado que vc diz que existe. Pq numa boa, todo mundo no Brasil sabe que o Rio é pior lugar pra bandas independentes do Brasil hoje, e vcs deveriam estar preocupados em entender isso, ao invés de desqualificar o trabalho de outras cenas. Ainda mais de uma cidade que fica no interior de um Estado, sem tradição cultural nenhuma, e que minimamente vem batalhando pra conseguir seu espaço. Que casa do Rio recebeu mais de 200 bandas do Brasil inteiro no último ano? Os caras q vc citou e disse que não representam nada, tem consciência disso, e estão trabalhando pra melhorar, e a REDE Rio de Música é um exemplo disso. O problema é que trabalhar coletivamente não é fácil onde o ego e a vaidade reinam. E aí fica um recado pra vc e para a Cecília: antes de discursar sobre tema música independente, procurem se informar mais e entender o que está acontencendo hj no Brasil, pois muita coisa tem mudado: o rio não é mais referência Rômulo, e as festas do Padero, Cecília, agora são no Goma. Esta é a nova realidade....

4:10 PM  
Blogger tassio said...

Acho estranho algumas colocações sobre os músicos e artistas dissociados das derivações da economia da cultura, colocando-os sempre em condições de vítima. Sendo que a realidade hj reflete um cenário bem diferente. O que vejo é que as várias cenas que se constrói nas cidades do país é encabeçado por músicos e artistas cansados de imposições de uma indústria cultural (enfraquecida e vazia de alternativas), que resolveram se mobilizar e organizar suas próprias festas, festivais, coletivos. E que em um breve período tempo, em termos históricos, conseguiu criar uma estrutura densa que abriu possibilidades para vários setores como: produtores, artistas visuais, design, comunicadores, pesquisadores, cineastas, poetas e tantas outras categorias em torno de um objetivo comum, trocando experiências, idéias e assim fortalecendo essa estrutura que rompe velhos paradigmas e posiciona por uma nova lógica produtiva da cultura, pautados em princípios colaborativos por meio do trabalho em rede integrado a partir de conceitos e práticas solidárias.

Antes de explanar outro ponto importante para o debate queria dizer Cecília, que vc tem todo o direito de sentir insatisfeita, que, na minha opinião a insatisfação é uma grande virtude, porque acredito q é um ótimo ingrediente para darmos um passo a frente. Mas creio que muitas pessoas também possam se sentir ofendidos e insjustiçados. Muitas pessoas que moram aqui em Uberlândia e que conheceram seu trabalho, a sua arte através do cult blog e posteriormente pelo seu blog, que se sentiram mobilizados e estimulados com a oportunidade de conhecer você e a sua arte transformado em livro, e que compareceram ao Goma pela a poesia e por reconhecerem a importância de valorização do artista local. Cheguei ao ponto que quero abordar que é a importância da valorização do artista local, que de certa forma me incomoda aqui em Uberlândia.
Por isso que vc deve ter ficado tão impressionada e admirada com os portalegrenses, porque uma das maiores lições do Rio Grande do Sul é como o público reconhece e valoriza a cultura local. Essa valorização pelo público é um dos principais fatores que fizeram consolidar uma cena independente que conquistou espaços, mercados; fazendo os artistas circularem em casa de shows e rodassem o estado, criando condições para lançarem vários artistas para todo país.
A participação do público é fundamental. Da mesma forma que existe um público interessado realmente na cultura, em dialogar, participar do processo, existe um público que prefere ficar sentado confabulando previsões e criando adjetivos e estigmatizando. É fácil! Podemos dizer que no Goma só tem pessoas com o mesmo cabelinho, ou que só tem punkie/indie, gay's, metaleiros, alternativos, artistas doidões, ou então, em algumas situações tudo isso junto misturado.
Sempre buscamos o diálogo com as mais diversas expressões culturais. É claro que não chegamos a um tipo ideal conseguindo contemplar todas as expressões artísticas, mas em um ano e meio dialogamos e abrimos espaços para as mais variadas manifestações culturais independente de Uberlândia e proporcionamos o contato com vários outros artistas de Minas e do Brasil. Isso porque acreditamos numa das principais características da cultura, que é a diversidade. Porém tenho a consciência que vivemos num mundo repleto de intolerância que me faz cada dia que passa ter a certeza que a transformação dessa realidade passa por um processo de afirmações coletivas, trabalhando colaborativamente em busca de objetivos comuns.
Acreditamos que as críticas são válidas e o debate é saudável, porque é nesses momento que externalizamos problemas e construímos soluções, mas precisamos ter cuidado ao fazer generalizações baseados em pontos específicos de um universo tão abrangente e complexo como a cultura, seja ela do “eixo” ou “fora do eixo”

1:23 AM  
Blogger Laís said...

vcs do Goma mudaram o foco da discussão absurdamente!! o ponto principal do texto foi o péssimo atendimento do Goma, problemas de gerenciamento e não como está a cena independente do hardcore, do não sei oq. A respeito da administração ruim nós não podemos fazer nd além de reclamar, o lugar é de vcs, a grana entra pra vcs e somos clientes. Mta gente está insatisfeita mas Uberlândia tem medo, muito medo de ter coragem de abrir a boca e encarar a cabecinha pequena dessa cidade que rotula quem pensa como arrogante, pedante, injusta como vcs já soltaram aí!! É assim q vcs estimulam as pessoas a serem honestas com a opiniao que tem sobre o Goma?! Eu sempre quis falar e achei uma oportunidade mas ate isso vcs desprezaram já - "são apenas 8 comentários no blog", "sao amigos da Cecilia". Eu não entro aqui por causa do Cultblog, eu conheci as poesias ha uns 6 anos atras qdo ela fez uma exposicao no Estação Cultura e nem a conheço pessoalmente. Nao tem amizade, é um assunto que ganhou empatia das pessoas pq sempre cochicharam isso somente. Tassio foi o mais ponderado, mas vamos tentar voltar a discutir como vcs podem melhorar seus serviços, isso que queremos!! Goma tem que ficar mais profissional inves de passar a impressao, como a Jake escreveu, q nao é comandado por um grupinho de amigos!!

6:58 AM  
Blogger Cecília Borges said...

A cultura não é feita de um pensamento único, mas de uma linguagem que estrutura-se, compartilha-se e abre-se para vários usos e falas. Eu optei por publicar minha impressão sobre a organização do Goma, avisando vocês antecipadamente por e-mail que assim faria. Estava indignada com o atraso do pagamento que afetava os projetos do ISS, como não ter grana pra tocar em outra cidade. Não conseguia entender como um local que fomenta a cultura poderia estar prejudicando justamente artistas que tocaram na casa. Mas, enfim, o que eu penso está na página principal porque aqui é o meu espaço para acertos, achismos e o que eu quiser. E isso não é arrogância, é liberdade. Nesse blog a maioria dos leitores não faz parte do meu convívio. No lançamento do livro em Porto Alegre a galera que compareceu era totalmente desconhecida, que lia minhas poesias aqui e eu não fazia idéia. Não estou comprando votos. Sobre o assunto Goma, obviamente alguns amigos aparecerão porque o local faz parte do universo deles também. E uberlandenses não são críticos pedantes... vamos nos livrar de etiquetas, opiniões rasas. Escrevo para pedir que a discussão continue saudável, sem "essa menina", tratamento sem educação. Não precisamos disso.

8:35 AM  
Blogger Luiz Casado said...

Bom, parece que uma crítica, que ao meu modo de ver, é bem fiel ao que sempre a colunista achou, criou ótimas vertentes aqui. Muita gente levou pro lado pessoal, tem uma pessoa aqui que escreveu um bando de besteiras, nem vou citar o nome do indivíduo(a) porque não conheço.
O Goma é um espaço muito bacana, com pessoas que sentiam a falta de um lugar próprio que correram atrás e realizaram esse “sonho” de ter um espaço para elevar a cena e se consagrar em Uberlândia, terra muito árdua para ter algum retorno quando se planta cultura.
Eu acho que vivi um pouco dessas transformações vendo minha mãe se libertando de um trabalho mais certo e realizando um sonho, o de elevar a cultura da cidade que a acolheu. E ela batalhou, ralou bastante. Eu ficava mais de duas semanas sem vê-la, isso morando no mesmo teto. A vi tirando dinheiro do próprio bolso várias vezes, mas no outro dia estava de pé, buscando forças não sei de onde pra fomentar um público que estava totalmente por fora do mundo cultural.
Ela tinha um sonho de abrir um teatro. UM TEATRO, que por algumas questões maiores (ou menores) acabou virando um bar, sem estrutura, diga-se de passagem, além de não dar lucros, só dor de cabeça. Inclusive até hoje ela paga por esse erro.
O problema é fazer o que quem patrocina quer ou simplesmente fazer como o London, que pelo menos antigamente (hoje não sei) escolhia as músicas que as bandas queriam. Foi muito louvável ver o Porcas tocando suas músicas próprias por lá, comecei a achar que dali ia se iniciar a mutação cultural na nossa cidade. Breve engano.
O problema de Uberlândia é o Uberlandense.
A falta de cultura em Uberlândia é explicada pelos trilhos de trem, que levavam peças, informações em geral, moda, etc. pra nossa vizinha Araguari. Hoje em dia vemos os mais novos mudando muito essa cultura de não se importar com nada e curtir algo bom.
O debate é importantíssimo, sem ele não chegaríamos a lugar nenhum...
Vamos lá. O Goma não usou o nome para se auto-promover, como fez o Douglas Duarte, criando um espaço (totalmente desorganizado) para virar vereador e deu no que deu. Ele sem o cargo pretendido e o local (que mudou de lugar algumas vezes) nem existe mais e muito menos deixou saudade.
(continua...)

9:40 AM  
Blogger Luiz Casado said...

...(continuando)
Desde sempre os artistas locais ganharam merrecas, mendigaram lugares pra tocar. A falta de compromisso dos produtores para/com os artistas desilude qualquer um de seguir a vida fazendo o que gosta.
Eu mesmo conheço vários músicos locais que tinham um futuro brilhante pela frente, de tão putos com a “cena”, deixarem de lado e virarem relez escravos de empresas, do governos, etc.
Seria o caso de aprender com esses produtores de sertanejo, que sempre bombam os lugares e pagam bem as duplas... Não, não seria mesmo.
Só olhar nesses comentários: “engraçado a autora citar em seu texto os eventos da casa do Padero, e é legal ver hoje o mesmo Padero procurando o Goma e encontrando no espaço uma saida absolutamente viável pra produção do já tradicional HC Reunion”
Totalmente injusto citar o Padero. Uberlândia não tem alternativas para a música, quando começa alguma coisa, barra nisso, essas picuinhas de ego, porque EU faço, EU aconteço. O Padero tem um sonho, um ideal de levar o HC pra todos, desde abrindo seu quintal e agora procurando um local pra realizar esse evento. Você acharia certo ele procurar quem¿ O Vitorios¿ Isso tinha que ser comum, não uma obrigação.
Vamos aos fatos. Pergunte a qualquer indivíduo que tem qualquer laço com a cidade sobre a satisfação do que ocorre na cidade. Nunca tivemos nada de concreto.
Talles, muito deselegante da sua parte falar que só 8 amigos da Cecília lêem esse blog. Existem pessoas do Brasil inteiro que lêem esse blog, é uma visão pessoal dela, aceita quem quer, ninguém aqui ta falando mal de uma pessoa e sim de um “coletivo”, qual a imagem que outras pessoas terão do Goma¿
O problema a ser debatido aqui são as possíveis saídas que o uberlandense-uberlandino-uberlandane-se tem para se divertir, concretizar uma cena real. Potência nós temos, mas o ego não ajuda mesmo.
Estamos todos no mesmo barco, mas vários estão tirando o dele da reta colocando a culpa nos outros: “Então faz melhor”, “O meu é maior que o seu”, “eu tenho você não tem”
Espero um dia o Goma se tornar referência em Minas Gerais, de coração mesmo.
Nós temos que nos unir, e saber aceitar críticas é o primeiro passo...

9:41 AM  
Blogger MArcelo Pudim said...

Tales,
Nao sei o que vc viu de genérico. Ja te falei milhares de vezes que a iniciativa do Coletivo Goma é excelente para o cenario cultural da cidade. Mesmo nao morando aqui vi algo parecido na época Pró Rock, porem nao tinha uma organização, e teve o fim que teve.
Agora nao preciso fazer gracinha pra ninguem. Nem pra Goma nem pra Cecilia.
A iniciativa de fazer shows é muito dificil, principalmente quando queria fazer um evento e fui conversar uma vez para arrecadar dinheiro para pagar as postagens do PV. Nessa vez me vieram com ideia de 600 reais para abrir a casa mais 50% da bilheteria, sendo que os custos de banda etc seria todos meus. Lembra dessa história? Pois é, nao vou entrar em pecuinha e passado é passado, apenas nao aceitei a proposta.
Voltando as "gracinhas", o texto da Cecília é uma indignação de uma pessoa que nao obteve o trato combinado. E como diz o ditado popular: " O combinado nao sai caro"
Para mim é isso!
O GOMA com certeza é a casa mais importante para toda produção cultural da cidade. Porém nos ultimos tempos virou uma Boate.E os altos preços de bilheteria tiraram o publico. Alem de colocar os estilos mais "pesados" em pleno domingo, quando todo mundo ja gastou a grana e ja esta arrebentado por causa do final de semana. Esse tipo de coisa infelizmente esta fazendo do GOma um outro Pró Rock.Espero que nao tenha o mesmo fim.
Mais enfim, o que quero dizer é que gosto do coletivo GOMA, me sinto em casa la, e espero um futuro de sucessos para todos. O coletivo, como o proprio nome diz, tem que responder por interesses em comum de todos, o que infelizmente nao vem acontecendo!
No mais é isso, VIVA O GOMA, VIVA a CECILIA que teve a iniciativa de "colocar a boca no trombone" e principalmente viva todas as "gracinhas" aqui postada.

10:16 AM  
Blogger Rômulo said...

Em nenhum momento a proposta foi comparar Uberlândia e Rio de Janeiro. Nenhuma casa aqui recebe 200 bandas em 1 ano pq existem mtass casas, Talles. Aqui ñ é centralizado, ñ tem um Goma apenas. Tem casas alternativas c/ posicionamentos diferentes, Cinematheque tem projetos undergrounds, Clandestino, Mal do Século, espaços públicos..... Ñ tenho idéia do que foi rock do padero, quem ele é, mas qndo eu leio q vocês se gabam pq ele foi atrás fazer a oferta de um evento, q agora a festa é no Goma, é a msm coisa de estar certo q quando existir segunda opção pra essa galera ADEUS GOMA. Saca?? Vcs em contrapartida cobram que é fácil confabular, adjetivar como tassio disse, mas o q a galera tem a ver com "vieram com ideia de 600 reais para abrir a casa mais 50% da bilheteria, sendo que os custos de banda etc seria todos meus"??? Essa é a melhor proposta pra fomentar a cultura uberlandense, jura??? Qto é o aluguel do Goma, os gastos fixos pra eles pagarem 600 só pra vcs sorrirem??? EU JURO q aqui no rio consigo qualquer lugar sem uma proposta abusiva dessas!! Como vcs são a única alternativa da cidade estão com essa postura q luiz falou mt bem!! e dizer q expor a opinião dela e o atraso do pagamento é arrogância é mostrar o qto o dedo apertou exatamente na ferida!

1:30 PM  
Blogger MArcelo Pudim said...

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2:59 PM  
Blogger MArcelo Pudim said...

Quero deixar claro que o preço do evento que citei no post anterior, foi uma proposta feita em um outro momento aqui em Uberlândia. E confesso que errei com essa citação. E peço desculpas! Tenho certeza que as cabeças mudaram, e que hoje as propostas sao outras. Bem mais acessiveis. Como ja disse antes, passado é passado.
Ao contrario do que esta acontecendo aqui, nao quero que minhas falas sejam motivos de ataques, mas sim de alertas!
E o melhor a se fazer é saber aceitar críticas, como quase todos ja disseram.
E concordo com o LUiz e o Romulo, o fantasma de uma segunda casa de eventos alternativos pode realmente assombrar o GOMA. E assim vai começar tudo de novo. E esse ciclo vicioso nunca vai parar.
Vamos parar com essa coisa de EU FIZ tal coisa, Fulando fazia tal coisa agora veio fazer aqui. Somem em vez de dividirem. Quanto mais casas melhor vai ser para aqueles que querem mostrar seu trabalho. Essa historia todos nós sabemos onde vai parar e nao é nada saudavel para a cultura de Uberlandia nem de lugar nenhum.
Como é bom ter um Porcas Borboletas e um Terra Celta tocando no London (casa mais pop cover de Uberlandia e que tem uma outra ideia totalmente diferente do GOMA). Um blues no Saidera, uma outra atraçao legal no Vinnil (como o TAles nos alertou muito bem)
O debate se tornou discussao, e esta fora do foco inicial que é o texto da Cissa.
Me mantive neutro ate ser citado de generico e de fazer gracinhas, logo por você Tales, que ja me conhece a algum tempo. Com essa atitute fiquei chateado. Todo mundo sabe a propaganda que faço do GOMA, principalmente fora.
Acredito no GOMA, e quero ver essa soma acontecer sempre. Nao vamos degradar lugares, cada canto tem sua cena e ela deve ser respeitada. Nao existe melhor nem pior, existe diferença. E para conviver bem é necessario respeita-las.
Da minha parte encerro por aqui essa discussao que nao leva a lugar nenhum.

5:05 PM  
Blogger Coletivo de Moda Goma said...

Li atentamente todos os comentários feitos. Meu nome é Ana Paula Rios, sou formada em Artes Plásticas e Design de Interiores, e além de trabalhar nessas duas áreas tenho uma carreira na área de produção cultural e de moda, design de moda, cenografia, figurino, gestão, educação e tudo mais à pelo menos 15 anos.

Sou soteropolitana (Salvador) e moro aqui em Uberlândia e exatos 3 anos e 1/2. Saí de Salvador no melhor momento da minha carreira por que queria explorar novos lugares, produzir, ajudar na construção de algo e encontrei em Uberlândia um terreno fértil. Qdo cheguei aqui não conhecia ng! E foi na noite... Na cena independente que fui conhecendo pessoas e fazendo meu nome aqui em Uberlândia. E foi no Goma (onde faço hoje parte do núcleo de moda, que encontrei pessoas realmente comprometidas em arregaçar as magas e fazer um movimento em prol da cultura.

Todos nós que fazemos parte do coletivo, estamos lá pq acreditamos no coletivo e todo o seu propósito que foi muito bem colocado pelo Tales. Só quem está no Goma todos os dias como eu e todos do coletivo é que sabe que fazemos das tripas coração para mantermos a casa de pé. Quantas noites todos nós perdemos tentando achar soluções para a casa, qtos choros já presenciei por aqueles cantos, qdo achávamos ter chegado ao nosso limite!

O goma é um coletivo que tem um super propósito, mas tb é um lugar que tem gastos e não são poucos! Muitos artistas e produtores chegam lá oferecendo "O evento" que se torna um grande prejuízo para a casa, pois os mesmos não colaboram na divulgação, ou mesmo pq esses tais produtores resolvem que querem produzir sozinhos "o evento que vai lotar a casa" e não dão conta! fazem uma produção tão boa que a casa acaba por assumir todo o prejuízo "do super vento!" e depois os tais não entendem pq receberam pouco pelo evento. Não estou dizendo que é esse o caso do evento da Cecília, mas é algo muito comum! (continua...)

10:52 PM  
Blogger Coletivo de Moda Goma said...

O Goma é um espaço que paga aluguel, que paga luz, telefone, internet (que é aberto a qualquer um)... e tb é lugar aberto ao público. Fico boba de ver falarem mal da gente, mas nunca vi essas pessoas irem de dia lá no Goma de dia, pq sim, ficamos abertos das 14 até sei lá que horas! (Tem dias que até dormimos lá tamanho nosso comprometimento com o espaço e com todos vocês) Nunca vi ng lá! Pq agente sempre está de portas abertas... inclusive já fizemos diversos eventos na casa que foram sugestões do público! Diversos!

Não somos um bando de amiguinhos que resolveram se juntar para fazer festinhas. Eu mesma cheguei depois que fui lá e ofereci minha força de trabalho, pq queria mudar a realidade cultural da cidade, pq queria somar! Foi assim com o Hick Duarte, com a Raissa, com o Ávner, com o Yan, com o Djalma, com a Agnes, com o Bim e tantas outras pessoas que fazem parte do coletivo hoje! Nós tivemos a coragem de sair da nossa zona de conforto e fomos dar a cara pra bater!Damos a cara pra bater todos os dias! Não somos arrogantes... Somos é apaixonados pelo que fazemos! E não pensem que somos apaixonados pq ganhamos rios de dinheiro não... Pq o que mais temos são dívidas!

Temos apenas 2 anos de coletivo, e como qualquer criança temos nossos tropeços! Cada tropeço nosso, sentimos imediatamente! E como qualquer família quebramos o pau quando isso acontece! Nos cobramos! Nos reunimos infinitamente pra descobrir saídas para que novos erros não voltem a acontecer! Não apontamos dedos na cara de ng não! Se erramos a culpa foi nossa! De todos do coletivo!E se foi por conta de algum produtor incompetente que resolveu fazer "o evento" na casa, nós assumimos tb, pq deveríamos ter percebido que aquela pessoa era um "blefe".

Como disse, cada erro nosso é sentido! Só quem ta lá dentro é que sabe da paixão com que nos envolvemos nesse projeto! A dedicação que devotamos a nossa causa! Mas acho bom que estejam falando... Debatendo sobre o Goma, pois ng chuta cachorro morto! Se estão batendo, é pq estamos bem vivos e fazendo barulho!

Quantas vezes fomos em diversos debates sobre cultura dentro de Uberlândia, inclusive dentro da UFU e oferecemos o Goma pra ser utilizado como meio de divulgação do trabalho de diversos artista??? Meus Deus!!!! Quantas vezes vi o povo torcendo o nariz!!! O mesmo povo que agora vem aqui publicar comentários falando sobre a não diversidade na programação da casa!

10:52 PM  
Blogger Coletivo de Moda Goma said...

(continuação...)Qtas vezes vi o Ávner a beira de um ataque de nervos, sem comer, preocupado, se esforçando para fechar uma programação do mês pra casa e não conseguir o apoio dos artistas locais! Pq é assim que Uberlândia é! Só da valor ao que não é daqui! Falo isso pq sou de fora! Fico boba de ver a desvalorização às iniciativas locais! Fico boba de ver como torcem o nariz para o que é daqui! Em 3 anos e ½, conheço melhor o Congado de Uberlândia, as Escolas de Samba locais do que muita gente que nasceu aqui! Quantas vezes eu, uma baiana, comprei briga e vesti a camisa da cidade pq quem é daqui torce o nariz!? As mesma pessoas que torcem o nariz para cultura local são as que estão aqui falando mal, dizendo que não recebem espaço no Goma! Logo aonde!!!!!

É pelo simples prazer de falar mal? De denegrir a imagem de quem tem a coragem de dar a cara pra bater? De quem veste a camisa da cidade? Da cultura daqui? Pq? Pq teve mais coragem que vc? A Cecília veio aqui pra expor nossas deficiências... Temos sim! Não negamos isso! São muitas!!!! Mas tb são muitas as conquistas alcançadas!!! Na verdade elas são enormes!!!

Erramos com você Cecília, e pedimos desculpas por isso. Mas daí a dizer que estamos com os dias contados ... Estamos vivos! Muito vivos! Vivos pq ainda existe muito trabalho a ser feito! Muita coisa a aprender! Existe muitos obstáculos a serem vencidos! Vamos continuar perdendo noites! Vamos continuar discutindo entre agente, batendo a cabeça! Vamos continuar fazendo infindáveis reuniões até acertar! Pq estamos aqui para pra isso! Vivemos cultura 24 horas por dia! Todos os dias na semana! Tem dias (como agora mesmo lendo isso) que temos vontade de chutar o balde e entregar os pontos, mas isso não dura muito não... Pq realmente vestimos a camisa do Goma! Seria muito bom que as pessoas parassem de ver o Goma como um grupo de amiguinhos e nos vivem como um espaço aberto! Por que é isso que somos! Um espaço aberto a críticas, sugestões e tudo mais! Seria muito bom ver essas pessoas de dia lá no Goma! Pq sou eu que gerencio a loja (que fica na parte da frente) e vejo todo os dias quem entra e quem sai do Goma, quem só fala e quem faz acontecer! Quem dá a cara pra bater! Quem veste a camisa como nós!

10:53 PM  
Blogger Mônica said...

estava acompanhando a troca de comentários à distância mas preciso me envolver pra tirar uma dúvida. eu leio, releio, releio o discurso de quem é do goma e até agora nao entendi qual a nossa obrigação como público de ser ativo com interesses e esforços da casa pra poder criticar. pq temos que ir lá de dia? pq temos que nos emocionar com os choros, as noites dormidas lá? goma paga aluguel, telefone, internet porque pagamos bilheteria, cerveja, salgados, roupas. temos uma relação de mercado com goma, antes de tudo ana paula. vcs devem ter um serviço de qualidade com quem vive ou nao 24 hrs por dia de cultura! como qdo vamos comer no barolo e podemos reclamar do molho muito salgado, do ponto errado na massa. simples assim. tem quem nao queira conhecer e compreender os bastidores, mas gera grana pra vcs! esse pessoal todo, avner, agnes, etc, alem de paixão recebem salários/comissoes? senao nao sei pra onde vai meu $$ quando pago o preço de uma noitada. vcs tem que parar de achar que temos presenças, participacoes a cumprir!! vcs podem ter boas intencoes, acho que todo mundo aqui concordou nisso, mas devem saber ouvir criticas como mais um comércio uberlandense. Vcs vendem coisas tb, nao só as ideias que tem, a filosofia do coletivo. E se é um lugar que vive cheio, vive na gloria de ser pioneiro na cidade, como ha apenas dividas?!?! Vcs batem no peito dmais, "pq sim, ficamos abertos das 14 até sei lá que horas!"... todo local de venda tem horário de funcionamento!! Temos que estabelecer relacoes mais maduras e de excelência com clientes, com produtores, com quem quer que seja. Justificativas passionais nao podem mascarar as deficiências e respaldá-las.

7:53 AM  
Blogger Bim said...

Bom, gostaria de deixar algumas considerações acerca desses tópicos como representante artístico local, pessoal e atualmente um colaborador às iniciativas culturais via GOMA. Como a Ana Paula discorreu iniciei minha contribuição no coletivo há exatamente 1 mês, após ter vivenciado como expectador há quase 1 Ano o trabalho do GOMA. Eu tinha a mesma visão fechada que algumas pessoas colocaram aqui: O GOMA como uma casa noturna feito por amiguinhos doidões que estão nadando em grana. Nunca fui um freqüentador do GOMA e na verdade eu tinha repulsa acreditando que o GOMA era um empreendimento levantador de causas banais para o seu sustento.

Como qualquer indivíduo, tenho minhas preferências acerca dos eventos, então ia dependendo do artista que iria utilizar aquele espaço. Bom, adentrei em uma banda formada por brincadeira. E em um dia de reunião para nos informar junto aos produtores sobre um evento que esta banda se apresentaria, tive a oportunidade de um breve contato do que seria realmente o coletivo GOMA (o qual, eu não fazia nenhuma idéia) na prática. Eu realmente fiquei muito surpreso com o grau de evolução da leitura cultural que esse agentes (os quais eu não fazia menor questão de ter contato) tinham sobre o cenário Uberlandense e Nacional, também como, sua aplicação.

No mais, tive poucos contatos após este fato (por falta de interesse meu) e com o passar do tempo tinha até esquecido. Em um próximo evento, nos convidaram para tocar junto a um grande nome da música independente nacional, e eu simplesmente pirei! Moral da história, o evento não deu nem 40 pessoas, toquei no dia do meu aniversário para meus familiares e amigos e mesmo assim achei muito foda! Não teríamos essa oportunidade se não fosse a proposta de intercambiar e reunir artistas de respaldo nacional com os de Uberlândia. Sem contar que, nosso primeiro show foi no Jambolada, o segundo em Goiânia, depois Cuiabá (o qual estabelecemos ótimos contatos, até mesmo o fechamento com um selo inglês), na Obra em BH, conexão vivo etc etc... O que tenho a dizer sobre esse histórico é que se não fosse a iniciativa do coletivo GOMA (não estou falando de um dos segmentos que este trabalha, a casa noturna) nós nem tentaríamos aprimorar a qualidade de nosso trabalho (não digo restritamente à sonoridade e sim a outros diversos aspectos). Assim, afirmo que aqui existi sim uma cena consistente nesta cidade. Além de considerar que o formato musical desta banda nem ia ao encontro das grandes bandas daqui.

E como citado pela Ana Paula, gostaria de assumir em público da verdade sobre a questão da valoração da produção da cidade. Fui prestar atenção realmente do que está acontecendo sobre esse novo formato de produção (“fora do eixo”) apenas quando fui ao Grito Rock de Cuiabá/MT. Porque quando se está em outras terras você quer dialogar, trocar figurinhas etc (coisa que nunca fiz aqui). Bom, pra começar nosso roadie foi o Bruno (guitarrista do Macaco Bong, considerado o melhor disco do ano de 2008 pela revista Rolling Stones). - Sentiu um pouco do estilo de produção? Ninguém é Deus!. Conversinha pra cá, conversinha pra lá. Foi a hora de conhecer o Pablo Capilé, principal gestor do Espaço Cubo e do evento. Foi uma conversa sadia, sem preconceitos e sem ser o pessoal do GOMA em que me deparei com a mesma realidade de produção e incentivo que UDI já estava trabalhando.

O que aconteceu? Me livrei desses preconceitos que todos aqui expressaram, não via GOMA e não pela aproximação do GOMA (que de alguma forma já tentaram). Sim porque eu não dava nem a oportunidade destes expressarem, pois a lei maior eram os meus pensamentos, portanto, individuais.
bem recebidas.

9:33 AM  
Blogger Bim said...

(Continuando) E sim, esta autora que se importa nas maneiras de como se dirigir a palavra à outra pessoa, qualificando certos tratamentos como deseducado. Ao fazer o apelo de seu dinheiro foi mil vezes deseducada ao dirigir de forma genérica a produção cultural de Uberlândia (“cultura em movimento decrescente”) e por todos que lutam por melhorias desta. Toda essa historinha que expus aqui, de forma até besta, foi para exemplificar tudo aquilo que se foi exposto pelos meus companheiros de trabalho.

Todos nós vivenciamos esses espaços e temos impressões sobre as coisas. Só que antes de desqualificar qualquer tipo de cena, é melhor que você realmente a conheça e não tenha esta visão míope. Caso seja por questões de superioridade (pois precisamos que alguém fale gugudada) e da superior forma de produção de seu novo lar, por favor, tenha um pouco de humildade.

Como veracidade desses fatos, o Luiz deve me conhecer muito bem (que aliás, discorreu muito bem sobre a experiência de sua mãe, com as dificuldades semelhantes que o GOMA enfrenta - casa noturna) e sabe que nunca fui /sou paga pau de ninguém, como supracitado, até o contrário (típico uberlandense).

Se alguém não sabe, quando sobra uma graninha no caixa do GOMA, o que é raro, ele ajuda com o custeio de passagens, gravações entre outros a artistas que estão dentro desse processo e a grande materialização disso tudo é o goma card que entrará em ativa. O Coletivo conta com quase 20 “colaboradores” que mantém seus estudos e trabalho normalmente. E ninguém aqui está morrendo em dinheiro!

Mas é isso aí, é quebrando as barreiras e trabalhando de forma livre e consciente que disponibilizamos horas de nossos dias para essa tal cultura que a Cecília citou. E assim como o coletivo me recebeu muito bem, acredito que outras pessoas serão bem recebidas.

9:35 AM  
Blogger E. Zielinski said...

Não adianta ficar batendo no peito e falando que o Goma é isso ou aquilo. Na verdade o que estou vendo é a tentativa de desqualificar as críticas da Cecília, que são relevantes sim. Tive uma pequena experiência de produção no Goma, um evento que foi encabeçado pelo Gilberto, o Porção de Risadas, que na época tinha relação com o Instituto Ipê Cultural. Evento realmente irrisório perante vários shows ótimos que pude ver na casa, como o Canastra, Macaco Bong, YFactor e Johnny O, entre outros. Mas já nesse pequeno evento várias reclamações aconteceram principalmente em relação à produção. Equipamentos falhando, atraso dos responsáveis, etc, etc, etc...

Eu entendo que esse seja o foco da discussão, mas desqualificar o outro é uma coisa tão tipicamente uberlandense que na verdade não me surpreendo com as respostas ao texto.

O Goma é sim a única casa do gênero na cidade, mas isso não deveria dar a seus dirigentes o direito de se revestir dessa soberba, esse nariz empinado no momento da crítica, pois isso vai no caminho contrário ao da cena independente que se propaga, justamente, através do contato contínuo com fãs e bandas nas redes sociais. A crítica da Cecília foi contundente, e se justifica pela resposta “se vc não gosta do lugar, é só não vir, e procurar outro lugar que te agrade”. (Talles-proprietário)

É essa mesma atitude que vemos em inúmeros lugares destinados ao mainstream e que nada contribuem com a cultura local. A questão também, em minha opinião, não é de posicionamento...se querem colocar um bando de neo-hippies tocando ipod nas festas, coloquem, mas falar q isso é cultura e parte da cena é diminuir o que o uberlandense tem de capacidade. Isso me cheira muito mais a festa caça-níqueis com playboys metidos a descolados procurando sexo, drogas e música enlatada. E olha que esses são grandes freqüentadores da casa.

Então, poderíamos nos ater a discutir sobre os critérios da produção da casa que, ou faz festas pra agregar conteúdo cultural às pessoas ou faz festinhas caça-níqueis como tantas que vemos. Se a 2ª opção é a que lhe parece mais verossímil, um atraso de 3 meses no pagamento da Cecília, francamente, é malandragem.

De qualquer maneira o Goma dá a sua contribuição à cena independente nacional de forma bastante efetiva. Acompanho à distância o trabalho e acredito que a atuação do coletivo merece destaque, vide presença de seus integrantes na Abrafin/Circuito Fora do Eixo. Acredito sinceramente isso não tenha sido conquistado por acaso.
A crítica é em relação à conduta pouco profissional que prejudica o andamento da casa e compromete a avaliação de todos que gostam do Goma. E, ao adotar essa postura um tanto quanto defensiva a casa nos faz perceber que de fato não houve uma mudança tão grande na cultura da cidade com se imaginava quando o Goma abriu as portas. Se nacionalmente a casa tem seu reconhecimento, seria interessante aceitar as críticas e começar a lidar melhor com o público que vive no aperto por lá toda semana.

Essa é a minha opinião que estava no blog do zé.

9:35 AM  
Blogger Cecília Borges said...

Bim, bacana sua opinião. Se ler o texto com atenção poderá notar que não me dirigi de forma genérica à produção cultural de Udi. Faço o recorte para você: "a maioria dos envolvidos" (maioria é diferente de todos, certo?). E, com certeza, não superestimei o Rio nenhuma vez. Não encontro qualquer trecho do texto que eu tenha tentado me colocar em posição de vantagem perto de quem mora em Uberlândia. Você criou esse complexo de inferioridade sozinho! O objetivo do texto não era apenas apelar pelo dinheiro, era provocar. Provocar é legal, ainda mais quando noto que a minha suposta falta de humildade parece ter fundamento (afinal, olha quanta gente concordando com a desorganização do Goma e propondo diálogos!). Não fecho os olhos para as intenções do Goma, seu papel na cultura local, mas realmente fiquei indignada com o atraso do pagamento - que eu soube que já aconteceu com outras pessoas e algumas nem receberam em espécie - e por não terem telefonado para renegociar prazos ou respondido e-mails imediatamente. Para mim, foram sinais de pouco profissionalismo e eu fiz a exposição dos fatos. Simples. Não menti, Bim. Fiz um relato crítico do que realmente ocorreu e foi uma faísca para que as pessoas saíssem do silêncio. Mas, óbvio, é apenas o meu ponto de vista. Acho válido, independente de quem concorda ou não. (Que ótimo a Curve ter apostado em vocês, li alguma coisa n'O Globo. Parabéns.)

10:02 AM  
Blogger Bim said...

Últimas considerações: O esquema todo que queremos que entendam é... Seria muito mais fácil quem injetou grana no coletivo contratar os melhores produtores e terem por exelência a qualidade, isso daria melhor retorno financeiro, concordam? Mas o fato é que o GOMA é habitado por artistas, estudantes de Jornalismo, pessoas que se identificam com essa produção, produtores que já organizavam eventos de forma totalmente independente, etc. O fato é que essas pessoas estão se juntando formando esse coletivo. E o parecer que damos é que estamos nos organizando aos poucos, porque o Goma é um experimento e construção juntamente com o público (que hora nenhuma é exclusa neste processo). Se a relação aí é estritamente de comércio, realmente tem algo errado. E por isso sempre colocamos a disponibilidade deste espaço para o debate sadio e livres de pré conceitos. E realmente erramos e vamos continuar errando até aprender e por isso precisamos da ajuda do público (e não clientes).

10:26 AM  
Blogger quandonãopodenãopode said...

Acredito que seja uma árdua tarefa ser um público quando expomos nossa opinião e nos reduzem à "mais um",
"visão míope","pessoa desinformada" "sem humildade"(a pior)..
Coloquei o texto no meu blog e recebi o incentivo de várias pessoas,será que o problema habita somente nossas férteis imaginações e "achismos"? Mais uma vez ninguém está falando de dinheiro(a não ser o atraso da Cecília,que tem nome),todos visam a melhoria do coletivo que no momento da crítica se posiciona de maneira hostil,ou seja,já aprendemos que não podemos opinar.
Faço das palavras da Mônica as minhas.

11:06 AM  
Blogger MArcelo Pudim said...

Lêem mais opinioes no Blog do Ze, que tb esta bombando:

http://overboproceder.blogspot.com/2009/07/decrescenteexcludente-e-pouco.html#comments

12:12 PM  
Blogger Yan said...

Primeiramente, como membro do coletivo Goma, peço desculpas pelo atraso e pela “pisada de bola”, mas com essa discussão preciso colocar alguns pontos de concordância e discordância. Sim, erramos e aceitamos críticas para um futuro crescimento, mas utilizar-se de um fato isolado para generalizar a cena de um local é precipitado.
Como o Talles citou, já passaram pelo Goma muitas bandas, muitos outros projetos que circulam no Brasil e fora dele, sem contar os outros que passaram pelo Vinnil, Armazén, Arte na Praça e vários outros projetos que acontecem na cidade. Hoje muita gente pode considerar isso um monopólio na cidade, mas são poucos os que procuraram se movimentar quanto a isso. Muitas críticas escritas principalmente nos comentários em seguida são válidas, muitas não.
A programação do Goma não é pautada em festas hype... sim,elas existem e fazem parte de uma outra cena, que pelo visto não possui nenhuma credibilidade para o que a maioria aqui chama de “produção cultural”. Por que a exclusão desses eventos? Elas são hypadas porque tiveram forte trabalho por trás, de divulgação, de elaboração de um conceito e agradou ao público. São eventos pautados em produção independente nacional, mas ao invés de instrumentos estão os produtores musicais (em sua grande maioria músicos), que da mesma maneira que as bandas independentes lutam por um espaço, trabalham na composição de suas músicas e encontram no Goma e em muitos lugares uma abertura para mostrarem seu trabalho. Sem contar as inúmeras performances de artistas locais que acontecem nessas mesmas festas super hypes. Mas pelo visto o objetivo de muitos e manter um público pequeno e desprezar uma outra cena que disputa espaço como qualquer outra.
Outro ponto que o Talles citou, o Goma é um laboratório, somos um coletivo que dá o sangue para promover a cultura com todas as forças que temos. Escorregões acontecem e sim, aceitamos críticas. O grande problema é recebê-las de pessoas que estão aqui, sempre presentes nas noites promovidas pelo Goma, desde as super festas hype aos pequenos shows de bandas independentes ainda brigando pelo seu espaço. Antes de criticar, tais pessoas deveriam se posicionar de maneira efetiva... se a festa é hype e não representa nada culturalmente (em sua opinião), posicione-se contra isso, não a freqüente... pois freqüentá-la todo mês e depois fazer um discurso contra é um pouco contraditório, certo?!
Respeito a sua opinião Cecília, acho justas algumas das colocações do Pudim e do Luiz Casado, esses sim apontaram de forma embasada suas opiniões e estão presentes para, dessa maneira, ajudar a ajustar as falhas na cena uberlandense... e estão trabalhando para isso. Da mesma maneira que você não conseguiu decifrar a cena de Porto Alegre totalmente, vê-se claramente que você já não conhece a cena como um todo em Uberlândia também.
O Goma está aberto, como sempre esteve, para agregar, somar, sem narcisismos, sem arrogância, para produtores e artistas dispostos a trabalhar e não apenas ter a “pose” de acima do bem e do mal.

Fica aqui minha opinião.

1:21 PM  
Blogger Schwartz said...

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2:53 PM  
Blogger Vitor Freitas said...

Já não é essa discussão a prova maior de que nossa cena realmente cresceu?

2:53 PM  
Blogger Schwartz said...

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2:54 PM  
Blogger Schwartz said...

Olá pessoal, aqui é Walber Schwartz.

Não podia deixar de me manifestar sobre esse post por dois motivos: sou eu o "amigo" (e o amigo, também sem aspas) que a Cecília cita - e, elegantemente, omite o nome em seu texto - como a pessoa que a convenceu a trocar o local original do lançamento de seu livro pelo GOMA.
Além disso, fui também, por mais de um ano, colunista e agitador cultural do CultBlog, uma das iniciativas mais relevantes da cena local nos últimos anos.

Em ambos os caso pus a mão na massa; nenhuma das duas iniciativas pode alegar que eu esteja "falando de fora", sem antes me envolver. Tampouco que desconheça a cena cultural local - ora, sou do tempo de Virgínia Casado, Cléo (in memorian), Iara, Roberto D´Amico, Gleids Pamplona, gente que trabalhou muito por essa terra e de quem somos herdeiros. Sempre fui espectador e expectador, pagante, incentivador de todas as iniciativas culturais da cidade desde 1992 quando vim pra cá. Contribuo como posso.

Por essas razões, sinto-me absolutamente confortável para falar do GOMA do CultBlog e da decisão da Cecília em tornar pública suas insatisfações nesse quase-manifesto.

Primeiro, quero lembrar à Lilian (Lilith) que o trabalho não remunerado realizado pelo Cultblog é fruto também do meu trabalho não remunerado; e de tantos outros que lá escrevem. O fato de ser voluntário não confere ao site, a meu ver, uma blindagem contra críticas. Ninguém foi coagido ou obrigado a trabalhar de graça. E a qualidade deve, sim, ser exigida de quem se dispõe a fazê-lo de livre e espontânea vontade. Assim, é justa a crítica da Cecília, que representa apenas o bom senso em termos de veículos de comunicação: textos de terceiros têm que ter fonte fidedigna; e ponto. Será mesmo que alguém questiona isso?

Quanto ao GOMA a minha opinião é análoga. Ninguém forçou ninguém a trabalhar sem remuneração, ou mal remunerado. Quem lá está aceita essas condições e não deve usar isso como defesa ou justificativa quando falha - e quem não falha?

Tendo isso como referência eu me incluo: não cobrei nada de nenhuma das partes para intermediar a negociação entre Cecília e GOMA e fiz o que pude pra que tudo corresse bem. Se errei, mereço também ser criticado e cobrado. Assumo minha responsabilidade.

Não sei da situação financeira do GOMA, mas me obrigo, como no caso do CultBlog, a dizer o óbvio: o livro é um bem, físico, tangível do qual o GOMA se fez depositário fiel. Ora, se sai um livro deve entrar o dinheiro correspondente e ser repassado. Quanto a isso também não cabe qualquer argumentação. Cabe?

Pra finalizar, também fui eu quem recomendou moderação a Cecília nas críticas. Não quero ver as iniciativas culturais da cidade sufocadas no ninho. Venho aqui, vejam vocês: justo eu, pedir tanto ao GOMA, quanto à Cecília e ao Cultblog , que não transformem divergências em mágoas. Não queimem as pontes, por favor.

Que todos tenham a lucidez de ouvir e procurar entender essas críticas antes de sair se defendendo - e atirando de volta.
(continuo)

3:19 PM  
Blogger Schwartz said...

Uma guerra entre vetores culturais tão importantes quanto esses (GOMA, CultBlog, Cecília e outros) só terá um vencedor: a mediocridade. Se nós, amantes da cultura, não formos capazes de resolver nossas diferenças de forma melhor que políticos e empresários, podemos nos dar como vencidos e incompetentes.

É surpreendente, por exemplo, que venha de gente tão esclarecida as generalizações tacanhas que, boquiaberto, li aqui. O que é isso agora de "Rio é assim", "Uberlândia é assado", "Porto Alegre aquilo outro"? Ora, é fácil achar mil opiniões de cada cidade dessas: 500 a favor e 500 contra às respectivas cenas culturais. Alguém duvida? E isso quer dizer o quê? A mim diz que generalizar, nesse caso, é uma redução inútil; só desvia o foco. Querer atribuir qualidades mais, ou menos, nobres ao seres humanos a partir da origem já foi tentado antes e falhou. Aliás, segunda-feira é o aniversário do Dia D.

Peço equilíbrio, reflexão e moderação a todos os envolvidos. Coração aberto pra aceitar as próprias limitações e tocar o barco em frente.

Ninguém deseja o fim de nada que represente a cultura. Peço, humildemente, então uma redução no tom de voz de todas as partes envolvidas. Não há trincheiras aqui, não há heróis nem bandidos; o único lado a escolher é o do bom senso.


Meu beijo mais sincero a todos.

P.S.: Na boa, agradeço o interesse das pessoas que não conhecem e não participam da cena local, se puderem ajudar acho ótimo. Mas a fogueira dispensa gasolina extra. Obrigado.

3:19 PM  
Blogger Talles Lopes said...

Caros colegas,

Primeiro, acho injusto as colocações de que não estamos aceitando as críticas. Se vcs lerem meu primeiro post, ele começa justamente pedindo desculpas a Cecilia, e colocando que estamos felizes com o debate e aberto a eles. O que fizemos foi um contraponto em relação a leitura feita sobre a cena de Uberlândia, que realmente na nossa opinião vive um grande momento.

Segundo: minhas colocações sobre o rio vieram a partir das colocações do Rômulo, e fruto do entendimento nacional compartilhado sobre a cena carioca. Não dá pra ver um cara que não conhece Uberlândia querer desqualificar o que estamos fazendo, e não fazer o contraponto.

Terceiro: Pra demonstrar de uma vez por todas que não temos interesse em mascarar nada, nem simplesmente desqualificar as críticas da Cecília, que podem ser vistas como corretas ou não, afinal todos tem direitos a fazer suas leituras, vamos começar a partir da próxima semana, uma série de encontros intitulado: Debatendo a cena. Nosso intuito é ampliar estas discussões e tratar de maneira honesta e propositiva todos estes temas levantados aqui. E aí gostaria de fazer uma constatação: não adianta nada identificarmos problemas senão trabalharmos para apontar soluções, e realmente senti falta de posicionamentos propositos neste debate. Como já disse, criticas ríspidas ou tapas nas costas não vão solucionar os problemas, precisamos de alternativas e acho que este deva ser o centro do debate.

Quarto: quero deixar claro ao Walber e a Cecilia, que não precisam se preocupar em relação a possíveis mágoas. Estamos envolvidos num debate local e nacional, nos alimentamos disso, e tenho total discernimento pra não misturar as coisas. As críticas e o debate livre e verdadeiro é uma ferramenta fundamental pra avançarmos, mas isso deve ser visto como uma via de mão dupla, pois também temos direito e condições teóricas e práticas pra discordarmos de determinadas leituras e opiniões que são emitidas.

Pra finalizar, quero concordar com o Vitor, e reafirmar que este debate demonstra a força e maturidade de nossa cena hj, e espero contar com todos vcs para continuarmos presencialmente "debatendo a cena". Em breve mais informações sobre este projeto no nosso blog: (www.gomamg.blogspot.com)

Vamo q vamo....

4:15 PM  
Blogger Talles Lopes said...

E só mais uma coisinha pra finalizar: Galera, a gente adoraria que novas casas fossem abertas em Uberlândia. Trabalhamos com o princípio da cooperação e não da competição. Quanto mais espaços, mais pessoas saindo de casa e consumindo cultura, mais público sendo formado, mais diversidade, o que é bom pra todo mundo. O monopólio tantas vezes colocado aqui não é fruto da nossa vontade ou de nossa politica, mas é simplesmente carência de ações empreendendoras. Realmente não consigo entender o que seria este "fantasma" da outra casa, da outra opção. A pior coisa do mundo é o monopólio e o marasmo. Tô adorando este clima de debate aqui, vendo que o debate já migrou pra outros blogs, e isto é sinal que estamos vivos, e adoraria tb ver novas casas abrindo em Uberlândia. Agora vamos deixar de sensacionalismo galera, e trabalhar para o crescimento da cena cultural de nossa cidade, com ações propositivas e espírito solidário. Desse jeito daqui a pouco vou ter que dar razão as diversar críticas colocadas sobre os Uberlandenses e sua capacidade de construir novas alternativas.

Viva a música independente. Viva a diversidade. Viva o debate franco e aberto. Viva a Cecília e o Goma!

4:53 PM  
Blogger Luiz Casado said...

Galera, ninguém aqui desmereceu o trabalho como um todo, apenas citaram algumas falhas que não se pode ter de forma alguma em qualquer que seja o ramo do empreendimento. Não lembro de ninguém ter citado a falta de capacidade das pessoas envolvidas em organizar nada.
O que não tinha visto foi a capacidade das mesmas em ver que uma crítica pode ser aperfeiçoada em forma de trabalho. Isso, qualquer que seja o cliente, colaborador, fornecedor, etc espera quando compra um serviço ou produto.
Eu espero que quando for ao Goma não tenha nenhum tipo de ressentimento, e falo sem problemas de todas minhas opiniões com a mesma firmeza que as coloquei aqui nesse fórum, que está ótimo, diga-se de passagem.
Agora sim Talles, vc agiu com serenidade. Talvez em um certo momento você estava de cabeça quente e escreveu alguma coisa que ficou sub-entendida.
E reafirmo: estamos todos no mesmo barco, e construímos sim, cada um com sua pequena contribuição para que o mesmo reme mundo afora.
Walber, alguém que não conhece a cena uberlandense acho que pode sim dar pitaco, cada um fala sobre sua vivência, os problemas vividos para não repetirmos. Como também não dá para repetir os mesmos passos bem sucedidos, pois cada lugar é um lugar.
A vivência de pessoas influentes da cidade na “gringa” trouxe várias tendências para a cidade na moda, musicalmente e até em outras coisas que não vem ao caso.
Porque foi um “boom” que surgiu não sei de onde e parece que a cidade deu uma pirada, mas ficou naquela mesma ondinha passageira que costumamos ver.
Essa cena Jim, ainda é um feto e precisa ser olhado pela mãe com cuidado para o rebento não ficar anti-social e não querer sair de casa ou simplesmente esquecer e mudar seus rumos, tem que ter mais personalidade, precisa de uma boa educação, precisa apanhar um pouco mais, ficar uns dias em um boteco com engravatados, psicopatas, animais, samambaias e boas doses de cachaça.
Espero um dia não ter mais que ouvir: “Você é de Uberlândia? Onde tem o Uberlândia Fest Folia né?” que aliás tem tão pouco tempo e tanto reconhecimento que me indigna.
Excelente você abrir espaço para um debate Talles, espero que muita gente compareça e não tenha medo de falar nada, mas vou torcer para que o resultado saia e não fique nas entrelinhas de um lugar de comentários de um blog, que aliás foi uma faísca maravilhosa pra botar essa porra pra fuder.

5:01 PM  
Blogger Schwartz said...

Luís, quanto ao que eu disse sobre os "de fora" vc não deve ter lido direito. Destaco:

"P.S.: Na boa, AGRADEÇO O INTERESSE das pessoas que não conhecem e não participam da cena local, SE PUDEREM AJUDAR ACHO ÓTIMO. Mas a fogueira DISPENSA GASOLINA extra. Obrigado"

Opinião, sugestão... tudo bem. Incendiário eu dispenso, que vá cuidar do seu própio botequim. Crítica (inclusive a literária, de cinema, teatro, dança etc) só quem deveria fazer é quem tem CONHECIMENTO de causa.

5:09 PM  
Blogger Marina said...

Sinceramente estou chocada com a mudança de rumos dessa conversa.

Eu como mãe ia ter vergonha que meus filhos soubessem que estou dando o cano em alguém.

Uberlândia está como está por conta disso, não aguento mais.
Isso não me deixa saudade nenhuma.

E Viva a música independente. Viva a diversidade. Viva o debate franco e aberto. Viva a Cecília e o Goma!


VIVA O CALOTE!

5:20 AM  
Blogger Schwartz said...

Mariana, pelo que sei a dívida foi paga. A Cecília podia confirmar isso aqui já que foi o ponto de partida do debate. Agora, vc acha mesmo que esse tipo de comentário ajuda em alguma coisa? Na boa, esse papo de "uberlandenses são assim mesmo", "em São Paulo isso não acontece" é escapismo tolo. A mim, que nasci e me criei no Rio, me formei em São Paulo e trabalho em Minas, não enganam.

1:17 PM  
Blogger Cecília Borges said...

Schwartz, sem mágoas. Óbvio! Aliás, não vi até agora como esse post pode ser negativo para nós todos. Você sabe que mesmo morando em outra cidade não tiro os olhos de Uberlândia; enquanto bebemos com Mirisola, fiz elogios às mudanças, se recorda? Só não desejo que o êxtase nos roube a consciência. Há muito o que melhorar e já declaro que não vou seguir o conselho de opinar baixinho. Torço pelo bom senso, ainda mais diante de intenções tão boas. Exatamente por isso, por esse momento de fervor, que não podemos nos contentar com uma cena frágil. Enfim, o assunto já foi bastante debatido, agora precisamos agir. Fazer é sempre mais bacana.

(Como me foi cobrado, aviso que a dívida foi paga dois dias após a publicação do texto e um interurbano.)

7:15 AM  
Blogger Schwartz said...

"fiz elogios às mudanças, se recorda?". Sim. Por isso mesmo estranhei você decretar que o movimento é "decrescente". Isso, nos quase 20 anos que estou por aqui, ainda não vi. Vi altos e baixos. Casas abrirem e fecharem - seriam todos incompetentes? Será que Uberlândia já tem público consumidor, pagante, para segurar essas iniciativas? - mas olhando em perspectiva vejo que melhoramos muito, sim, nas últimas duas décadas. O movimento é crescente, não tenho dúvidas. Talvez não na velocidade e na forma com que gostaríamos, mas negar avanços é não querer ver.
Deficiências existem, sem dúvida. Oscilações? Muitas, concordo. Decrescente eu repudio.
Beijos, Cissa.

11:20 AM  
Blogger Marina said...

Schwartz, eu só quis brincar um pouco no meio de tantaaaa polêmica amigo!

Mesmo com a indignação, vamos ter mais humor pra ver uma luz no fim do poço que é a relação artistas locais - lugares em Uberlandia.

ENFIM
Talles cita que vai levar o debate pro blog do goma mas qual a data?
Essa semana quando? Vamos seguir cortando promessas ao vento????

1:46 PM  
Blogger Schwartz said...

Ok, Mariana. Prometo não levar você a sério mais.

6:30 PM  

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