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Friday, May 29, 2009

RAFAEL SICA



Gosto muito das tiras dele. Conheci os desenhos de Sica na Piauí e depois fui buscá-los nas Tarjas Pretas que vivem no meu banheiro. Na revista "O Grito!" tem uma entrevista (do ano passado) com o cara:

Com uma tira diária, como é seu método de trabalho, sua rotina?

Nunca bato cabeça na frente de folha em branco. Tenho muita coisa anotada e desenhos rabiscados em papéis soltos. Não deixo pra resolver na hora, porque não consigo. Fui descobrindo meus limites com o tempo. Tudo pra não transformar o que me dá prazer numa choradeira.

Pra continuar lendo, clique aqui.

E favorite o blog.

Tuesday, May 26, 2009

SÓ É PRECISO

perdida nem se sumissem
códigos estúpidos que dei pro sr. tempo
e aquela sequência de pintas
um desenho infantil cortando
a ponta do indicador, força armada
em domicílio:
congelados diversos e
os nomes que me dei trepando
- o que resiste nessa solidão
que de perene não só me tem
na cama encerrando o caso no ar
pra poder dormir com os anjos
mesmo sem querer

Monday, May 25, 2009

SAME LOVE - WILL OLDHAM


Friday, May 22, 2009

JORNAL ZERO HORA - PORTO ALEGRE

A África e a condição feminina em versos

Uma editora porto-alegrense administrada por poetas e com a proposta de colocar a poesia contemporânea nas prateleiras. É a Éblis, parceria entre os porto-alegrenses Ronald Augusto e Ronaldo Machado, que está lançando dois novos livros: Dente de Leão, de Cecília Borges, e Congo Negro, de Vachel Lindsay

Congo Negro, do norte-americano Vachel Lindsay (1879 – 1931), é o primeiro livro da Éblis a apresentar uma tradução. Arrebatado e militante, é um poema para ser lido em voz alta, e para tanto traz marcações laterais que determinam o ritmo e o “andamento” da leitura. Experimento de cultura negra de um poeta branco, é um brado sobre a cultura africana, seu massacre pela colonização branca cristã e sua tenaz persistência.

Dente de Leão traz 25 poemas da mineira radicada no Rio Cecília Borges. Duas dezenas e meia de instantâneos da condição feminina em um tom que vai do irônico ao lírico, versos que alternam entre emoção e uma ríspidez expressa na síntaxe telegráfica.

Os dois livros somam-se a cinco já lançados pela editora em dois anos: Desde sua origem em 2007, a Éblis publicou No Assoalho Duro, de Ronald Augusto, e Solecidades, de Ronaldo Machado – os dois sócios da editora –, 51 Mendicantos, do santista Paulo de Toledo, Camisa Qual, do cearense Candido Rolim, e Passeios na Floresta, do paranaense Ademir Demarchi, mostrando uma vocação do selo de buscar um diálogo amplo e além do regional com a poesia brasileira. As tiragens são limitadas – 300 exemplares em média – mas a intenção é clara: marcar um espaço para a publicação de poesia, gênero considerado veneno de prateleira pelas grandes editoras.

– O público da poesia existe. Claro que não é o mesmo da prosa, é menor, segmentado, mas existe. Por isso a gente publica os livros com edições quase artesanais – explica Ronald Augusto.
LIGUEI E MANDEI NA LATA




- Ô, Johny, cê tá meio deslocado na festinha.

Partiu pra minha casa?

Wednesday, May 20, 2009


Estarei lá. Não li "O filho da mãe" ainda. Estou quase na metade do romance do Daniel Galera, dividindo a leitura de "Cordilheira" com "Homem no Escuro" do Auster. As impressões ainda são muito rasas, já que estou na página cinqüenta e poucos dos dois livros. Falarei depois.



Em Porto Alegre fui ao show dos PoETs, banda dos poetas Ronald Augusto, Ricardo Silvestrin e Alexandre Brito. Gostei de várias letras, "Descarrego" é a preferida. Devido às palas do Internet Explorer (as usual), não consigo copiar o html do youtube pra inserir um clipe deles nesse post, mas é só clicar aqui, abusar também dos links acima e ser feliz.



Vou formatar esse computador amanhã, eu juro. Windows Vista é um lixo mesmo.

Monday, May 18, 2009

AFUDÊ

Depois de cinco dias em Porto Alegre volto pro Rio com ótimas impressões. O lançamento foi especial: gente bacana, bons papos. João, meu amigo de Bagé que mora no Rio e que me acompanhou na viagem, topou cantar algumas poesias que ele e Bruno estão musicando. Acho que o pessoal se divertiu, eu fiquei super emocionada. Os editores da Éblis, Ronald Augusto e Ronaldo Machado, me receberam muito bem. Agradeço o carinho imenso que tiveram comigo, a primeira menina publicada pela editora, e espero ter feito bonito pra marcar essa estréia numa trajetória com certeza ainda longa e corajosa para eles e pra mim. Juninho me hospedou sem saber quem eu era e agora temos mais que um amigo em comum - vimos o dia nascendo na janela enquanto estávamos batendo papo, falando de vida. Brindamos várias vezes nossas esperanças; às vezes esquecemos que, na verdade, somos otimistas pra caralho. Uma delícia fazer novos amigos, iniciar diálogos - a expectativa era essa e foi cumprida.

Friday, May 15, 2009

DIÁRIO DO NORDESTE

Coluna do Carlos Augusto Lima


Três estações do poema


O ponto de partida é o centro daquilo que chamamos poema. Uma insistência. Uma urgência ainda e muito necessária, ao que parece. Aquilo que chamamos verso, desconfigurado, normatizado, formalista ou experimento, isso já não importa. Interessa ser ele mesmo, poema, verso, ainda. Meu ponto de partida é esse trilho, senda, vereda, picada aberta pela palavra. Uma visita a três estações do poema, três livros bonitos de vozes femininas, onde o gênero, mesmo marca de corte, importa bem pouco. A palavra ganha ante qualquer suspeição de limite, categoria, feição disso ou daquilo. Melhor ainda, quando essas três produções passam à margem, pelas bordas do que é eletivo na literatura contemporânea e seus cercos, suas escolhas, apadrinhamentos e acertos de última hora. Quem quiser, pode muito bem me acompanhar. Estamos de partida.

Primeira estação

Dalila Teles Veras. Este nome já freqüentou esta coluna antes, numa conversa rápida, num rastreamento que andei tratando a respeito do que é possibilidade de livro, projeto de livro e publicar, pois Dalila está à frente da Alpharrábio Editora e Livraria, uma boa ideia de livraria-sebo-selo editorial em Santo André, São Paulo. Mas Dalila Teles Veras também escreve e acaba de publicar seu mais recente livro de poemas “Retratos Falhados” (Escrituras, 2009), que reúne três plaquetes anteriores lançadas pelo selo Alpharrábio, inclusive a série “Pecados”, uma bonita caixa, ou melhor, um bonito livro-objeto contendo sete poemas ilustrados por artistas amigos da autora, cada, com tiragem limitada. Dalila nasceu em Funchal, Ilha da Madeira, mas vive há mais de quatro décadas no Brasil. Apesar de sua confessa influência da lírica e da tradição poética lusitana, qualquer associação mais imediata com essa mesma tradição, com um olhar mais reducionista, deve ser visto com muito cuidado, principalmente neste recente livro. Se estão presentes um carregamento de lirismo e memória, também está nos seus ´Retratos Falhados´ uma arrebatadora visão de urbanidade, um enclausuramento lingüístico típico da escrita contemporânea, muitas vezes um quase silenciar. Estão presentes ainda as imagens da doença, a dor, a presentificação da morte, a espera, a chegada e um luto muito particularizado. Porém, não tomemos como algo de essencialmente negativo, pois seus versos são antes questionadores, uma forma de pensar os limites, o poder sobre a combinação vida-morte, o poder sobre a idéia de cura e a nossa fragilidade diante do que é finito.

Segunda estação

Também já tratei aqui de um projeto bonito de editoração lá de Porto Alegre capitaneado por Ronald Augusto e Ronaldo Machado, chamada Editora Éblis. Importantíssimo gesto da distância, da margem, de um outro circuito para o poema. Da Éblis já saíram livros de Cândido Rolim (Camisa Qual), Ademir Demarchi (Passeios na floresta), Paulo de Toledo (51 Medicamentos) e dos próprios Ronald (No assoalho branco) e Ronaldo (Solecidades). Mais recente e agora, a editora lança ´Dente de Leão´, de Cecília Borges, que já publicou ´Resposta´ e assina o blog: http://www.cecilia-borges.blogsot.com/, além de residir no Rio de Janeiro, e daí eu não conseguir deixar de associar sua escrita, os poemas que se mostram, com um certo ar de quase despojamento, uma confissão vívida, alegre porém marcada por profunda acidez. Amargor? Quem sabe, mas muito vivo, como disse. Difícil para mim deixar de associar, conectar, ´linkar´ a poesia de Cecília Borges dizendo: ´como é bom saber que/ logo vou te ver/ meu sapato listrado pode saltar/ entre turistas chineses engraçadinhos/ e compromissos/ só para te encontrar/ nesse bairro de pronúncia gostosa:/ te vejo no Leblon, amor, Leblon´, a algo que me remeta, me lembre os versos desbocados e lindos de Ledusha Spinardi. Ledusha, por favor, mande-me notícias! E no fundo, tudo isso é muito bom, como é bom saber da metáfora possível para o desejo, o encontro, o cair fora presente nestes versos afiados como dentes de leão faminto e brabo. Cecília escreve como quem manda um recado, que é quase uma provocação, mas também um atestado de uma tristeza, um samba bonito. E agora, o condutor anuncia uma outra estação.

Terceira estação

Esta é a última parada. Já devia tê-la tratado, escrito bem antes. Chama-se Outras Palavras/Otras Palabras (7 Letras, 2008), belo livro bilíngue da carioca Diana Araujo Pereira, publicado ainda nos finais de 2008 mas, que só agora, com o devido tempo, pois cada coisa merece este mesmo sintoma chamado tempo, faço mover nesta coluna. Poesia? Talvez. Posso tratar como poema? Quem sabe. Mas nomear o que escreve Diana é detalhar, explicar, classificar demais e aqui não cabe isso. Inscrições. Isso! Inscrições carregadas de sentido e reflexão a partir daquilo que é palavra. Para início de livro e conversa: ´Escrevo da beira de um nome que não é meu´. Talvez escreva como uma proposição de abismo que é uma rota para quem se arrisca a tratar das palavras, dizer das coisas do mundo. Diana busca uma imagem essencial com suas inscrições, uma idéia primeira da palavra que é o suporte da vida, dos sentidos onde tudo está ao redor. Do sentido até do que falta. Eis o chamado do abismo: ´Um nome que me falta, o rosto que me escapa´. O perigo aqui é o esquecimento, o nome que não se diz, não se pode dizer. Um nome que se apaga: ´Riscado o nome, o que sombra de ti mesmo?´, pergunta. Em suma: a palavra que dá substância e significado à vida e a mesma que faz dessa mesma vida corpo fugidio, um nada, desaparecimento, quando não é possível dizer. Mas agora não é mais. Deixo vocês com o silêncio. Este é o final da linha, preciso descer.

Tuesday, May 05, 2009

DENTE DE LEÃO NA LIVRARIA ODEON
Praça Floriano, 7 - Mezanino do Cinema Odeon
Cinelândia, Rio

Monday, May 04, 2009

SOBRE MINHAS HORAS QUEM EXPLICA É LYGIA julie morstad

"ô! delícia beber sem testemunhas, algodoada no chão feito astronauta do espaço, a nave desligada, tudo desligado. Invisível. O que já é uma proeza nesse planeta habitado por gente visível demais, gente tão solicitante, olha meu cabelo! olha o meu sapato! olha aqui meu rabo! E pode acontecer que às vezes a gente não tem vontade de ver rabo nenhum." As Horas Nuas, Lygia Fagundes Telles

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