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Monday, June 29, 2009

AOS UBERLANDENSES
CULTURA EM MOVIMENTO DECRESCENTE


A vida cultural em Uberlândia está engatinhando? Há 10 anos, na minha adolescência, as opções de diversão eram pouquíssimas além de duas boates que variavam sua programação musical entre pop rock e house. Existia um lugarzinho underground aqui, outro ali, que, na verdade, não durava mais de 6 meses. Como eu nunca fui fã de me jogar na pista ouvindo versões nojentas de Sweet Child O'Mine, extravasei todo o ânimo típico da idade em festas malucas na casa de amigos, ouvindo bandas independentes em quintais alheios ou envolvida em alguma produção mambembe para levar pra cidade quem a galerinha gostava. As intenções eram maravilhosas e, juro, geralmente nossas idéias davam certo.

Produzi a primeira festa aos 14 anos - lotação máxima, rock'n'roll nas caixas, policiais na porta, exatamente como eu gostaria que fosse a estréia do que mais tarde seria minha profissão. Nas mesas de bar, nos dias mais pacatos que o usual, falávamos absurdamente mal daquela realidade provinciana. Garotos vestidos de cowboy (calças Wrangler marcando as bolas) querendo agir como paulistanos, garotas metidas à moderninhas mas que na verdade carregavam na calcinha a rígida moral das famílias mineiras, uma explosão de sobrenomes que naquele tempo já eram sinônimos de falência, festas caras e importadas. Festa do Pijama, Festa da Marcinha, as festas do Clube Praia, as festas do Uberlândia Clube e as duas boates que já falei, London e Poison.

Era o que tínhamos e só hoje, exatamente hoje, descubro que éramos mais felizes quando precisávamos criar com muita honestidade outras alternativas. Depois que eu já estava morando sozinha no Rio de Janeiro, onde estou até hoje batalhando pelo meu ganha pão como produtora e roteirista, me contaram que abriram o Goma, espaço com uma programação bacana que alimentava o movimento independente.

A cidade parecia respirar aliviada. Além do Goma, os amigos daquele tempo que não fizeram as malas criaram zines, blogs, novas bandas ou as velhas foram pra frente. Tudo muito lindo, como comecei a acreditar depois de rápidas visitas. Os garotos gostavam de ser uberlandenses, as garotas eram mesmo moderninhas e falavam agora de Caio Fernando Abreu, os sobrenomes eram descartáveis, as festas rolavam como sempre sonhamos. Tanto que nós, da velha guarda, queríamos aproveitar a cena e, em pouco tempo, descobrimos que a negociação com o Goma é igual ou pior que a existente do outro lado da rua, no sobrevivente London. O slogan "Cultura em Movimento" começou a empacar aí, quando você, como produtor/entusiasta, apresenta um projeto legal mas precisa de parceria e bom senso, afinal irá lotar a casa com um artista que garante público, e eles querem apenas arrancar seu couro te chamando de brother. Tá, você pode me contar em voz alta que o capitalismo chegou há um bom tempo, que isso e aquilo. Certo.

Mas o que me deixa indignada são as máscaras. O London é um lugar escroto? É. Sempre soubemos disso. Sempre foi bastante claro que o interesse do Davi eram festinhas ruins mas que ficavam abarrotadas de adolescentes ouvindo covers horrendos. Surpresa pra alguém? O Goma usa maquiagem, observação que ouvi na última mesa de bar que sentei na cidade e que infelizmente sou obrigada a concordar. Meia dúzia de pessoas já comandam a programação de lá com festinhas hypes, DJs e músicos recebem um cachet ridículo e a desculpa é a mesma quando a gente não entende a equação deles (lugar sempre cheio = pouca grana no caixa?).

O Goma abrigou projetos admiráveis. Conexão Vivo foi uma parada válida. Chacal saiu do Goma comparando-o com o Bowery Poetry Club, mas eu aposto que esse arrebatamento se deu muito mais pela vibração da galera (essa que esperava há anos por um lugar decente pra mostrar o que faz, pra absorver outras pessoas, pra ouvir), pela decoração cult do lugar tão próxima dos points intelectuais das grandes cidades e porque Chacal não precisou confiar financeiramente na parceria com Goma e não ficou por lá tempo necessário para romper as cores fluorescentes das primeiras impressões. Voltei de Porto Alegre apaixonada pela cidade, pelos portoalegrenses, mas não sou capaz de desvendar em cinco dias como a cultura se move ali, os bastidores! O Rio adoece Chacal e Uberlândia me adoece porque lá é meu terreiro.

Em Abril organizei o lançamento de "dente de leão" no Goma, meu segundo livro, depois que um amigo disse que no lugar que eu já tinha acertado tudo, no Bonsai, o dono era esquentadinho e tinha tratado muito mal um casal homossexual. Abortei Bonsai e fechei um sábado com Goma. Eu e convidados ficaríamos na parte do bar, o lançamento iria até 22h (antes de começar a festa Pop!Justice) e eu não usaria funcionários extras da casa. O livro seria vendido no caixa, pago em dinheiro para não dificultar o acerto e 100% do valor seria meu. OK. O lançamento foi razoável porque eu criei muita expectativa antes de conversar com a galera nova, que despejava adjetivos engraçados para a capa do livro que era simplesmente P&B. Quando ouvi que a capa era soft, palavra que leio geralmente em embalagens de amaciantes, peguei a bolsa e fui pro bar de um amigo tomar umas. Mas a presença de algumas pessoas valeram ouro, só não fiquei totalmente satisfeita. Tenho o direito, poxa.

Além do vão que parecia existir entre o livro e a maioria das pessoas, aquela encenação que pouco me agrada, esse episódio me deixa particularmente decepcionada:

Gosto de música jamaicana e queria curtir com meus amigos antes do evento mais formal, então chequei a possibilidade de fazer na quinta anterior ao lançamento uma festa com Interferência Sistema de Som, sound system do Rio que gosto bastante, porque na época namorava um dos integrantes, ele já iria pra Uberlândia e o João topava ir mesmo sem o Goma custear a produção. Goma topou, claro. A gente pagaria 50% do equipamento, João arcou com sua passagem e 14 horas de viagem, hospedagem e comida na casa dos meus pais e investimos na qualidade da festa pagando sozinhos a gasolina do pessoal que traria de Uberaba o MC Eremita e do MC Puff. Tudo bem, aceitamos as condições pela diversão. No último dia da minha estadia em Uberlândia fui receber a porcentagem irrisória do ISS e a grana dos livros vendidos. A produção do Goma pagou menos de 50% do combinado dizendo que não tinha mais dinheiro no cofre, mesmo eu tendo ido no dia e horário que eles combinaram. Falaram que iam depositar o restante, sumiram, mandei e-mails, financeiro me respondeu que estavam sem grana esperando que depois do Festival Goma pudessem arcar com as responsabilidades, respondi à enrolação pedindo que pelo menos que não mentissem sobre o valor que eles pagam "só pra abrir a casa" porque eu sou produtora e por aquele valor conseguiria negociar até com Circo Voador. Enfim, até agora nada e quase 3 meses de atraso tem nome.

Sabe, um amigo me cobrou por eu não ter escrito um agradecimento ao Goma e achou que eu ter citado no blog apenas esse lance da capa significava não incentivar a cultura uberlandense que, segundo ele, é ainda uma criança e precisa ter a atenção cobrada com reserva. Respondi que se a cidade era mesmo uma criança sou daquelas mães que batem em público, mas hoje tenho uma outra percepção: A cultura em Uberlândia e a maioria dos envolvidos na sua divulgação quer que a cidade fale gugudada pra sempre. Uberlândia foi criança quando o pessoal ralou pelo Rock do Padero, palco montado no quintal de uma república onde a gente dançava hardcore de primeira com bandas da região. Essa ingenuidade que existiu na infância da cidade rendeu boas noites. Uberlândia cresceu, mas está aprisionada em um quarto (como o filho de Yubaba no filme "A viagem de Chihiro", he). Minha cidade já deveria ter uma cena repleta de profissionais, uma produção que combina horário e paga o cachet porque planeja o montante que está em seu cofre. Uberlândia merece uma produção cultural que responda e-mails, que ligue renegociando prazos, que não dê calotes. Uberlândia merece um Cultblog onde um colaborador não confira a autoria de um texto tosco à Veríssimo sem que isso passe pela séria averiguação dos editores. Uma pena já ouvir previsões sobre o fim do Goma assim que existir uma segunda opção. Nós somos exigentes sim, talvez porque há 10 anos tínhamos coragem de assumir a nossa bagunça. Mas eu não desisto, é sério. Nem de pegar a grana do caixa do Goma que é referente ao trabalho de dois músicos e uma escritora. Porra.

Friday, June 19, 2009

PAUL AUSTER LÊ HOMEM NO ESCURO



Terminei a leitura ontem.

August Brill não dormia e eu, quando conseguia pegar no sono, sonhava com seus olhos abertos. Os amigos, além de terem escutado muito a respeito do livro, tiveram que aturar minhas próprias narrativas sobre Brick, Miriam e especialmente Katya.

Agora é hora de Animal Agonizante do Roth e de rezar pra esse tersol que apareceu justo numa sexta-feira não bancar o insistente.

Tuesday, June 16, 2009

RECONSTRUIR UM PARQUE DE DIVERSÃO NÃO É FÁCIL

Friday, June 05, 2009

GUNS OF NAVARONE, SKATALITES



Meu final de semana vai começar hoje.
Com o show desses caras no Circo Voador.

Wednesday, June 03, 2009

MY HEART BELONGS TO DADDY COM EARTHA KITT, 1957



Saudade grande do meu que não vejo há dois meses.
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