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Monday, August 31, 2009

Ontem fechei The Brooklyn Follies. Quem me disse que é o melhor livro do Paul Auster pode ter razão. Dos que eu já li dele, está mesmo no topo. Assisti o musical "Um violinista no telhado". Algumas cenas são ótimas, como a do leiteiro Tevye cantando "If a were a rich man", que coloco abaixo. Se eu não estiver enlouquecendo, ouvi uma versão dessa música em pleno carnaval do Rio, tocada pelo bloco Orquestra Voadora. Pirei? Só sei que preciso de uma segunda chance pra entender se o filme é cansativo ou se eu, que coloquei o DVD já no começo da madruga, quem estava um trapo. Passei a tarde toda com os queridos Max e Taci, que estão grávidos de Pedro, fotografando a mamãe. Lindíssima, como podem ver. Essas duas foram tiradas com a digital, que nunca uso. Me viro com analógica e as fotos serão reveladas ainda hoje. Final de semana agradável com amigos, perfeito para que eu treinasse substituir sonhos por auto-ilusão consciente, mas dessa manha falo depois.




FIDDLER ON THE ROOF - IF I WERE A RICH MAN

Friday, August 28, 2009

VERDADES POUCO DITAS DO MEIO LITERÁRIO

(CtrlV do blog do Michel Laub)

Sobre o crítico – Martin Amis diz que um dos problemas da crítica literária é que seu instrumento de expressão, o texto, é o mesmo usado pelo objeto de sua análise, diferentemente do que acontece na música, no cinema, nas artes plásticas, no teatro. Ou seja: ao decretar que um escritor não sabe escrever direito, o crítico no mínimo terá de fazê-lo numa prosa com algum sabor e algum brilho, o suficiente para não cair num certo ridículo. Para irritação dos críticos, que acham essas questões mundanas demais para serem discutidas nas esferas elevadas onde atuam, o fato é que todo escritor, ao ler uma resenha negativa de seu livro, instintivamente trata de avaliar o texto do algoz – e na imensa maioria dos casos, claro, chega a uma conclusão não muito lisonjeira a respeito.


Sobre o escritor – Embora as honrosas exceções, que são em número muito menor que o anunciado, toda obra literária é autobiográfica. Não só naquele sentido geral e cômodo – “o que penso sou eu” ou “a forma como digo é como sou” –, mas diretamente mesmo: pessoas ao redor do escritor, fatos, cenas, sensações, é virtualmente impossível que isso não seja transportado, de uma forma ou de outra, com os devidos disfarces e perfumes, para dentro dos seus livros. Como esse escritor está sempre em busca de assunto, sua vida muitas vezes passa a ter uma função utilitária, num processo que John Updike definiu mais ou menos assim: até decidir se dedicar à literatura, o sujeito sofre as coisas de verdade, porque ainda tem tudo a perder; a partir do momento em que passa a ver nas experiências ruins uma possível matriz de ficção, não é muito difícil transformar “dor em mel”. Dá para acrescentar que, como ainda se acredita que esse mel será mais doce se houver mais dor, em alguns casos patéticos – juro que estou falando em tese, gente – o sofrimento passa a ser quase desejado.


Sobre o escritor que é também crítico – Bem, aí a gente precisa se defender como pode, construindo meia dúzia de argumentos que justifiquem intelectual e moralmente essas mesquinharias todas. Num ótimo ensaio que andou circulando há um ou dois anos, Zadie Smith disse algo interessante sobre T.S. Eliot, segundo quem a personalidade do autor não interessa, ou, num resumo mais grosseiro, texto e autor são inconfundíveis. Pergunta Zadie: será que Eliot não dedicou seu enorme talento para defender essa tese, entre outras razões, porque em sua biografia constava o fato de ter abandonado a própria mulher num hospício?


Sobre a competição entre autores Ao contrário do que diz o senso comum, tudo o que o escritor quer é gostar dos livros dos seus colegas. Esse é um dos motivos por que sua leitura nunca terá a mesma isenção da que faz o crítico descompromissado ou o público: frase a frase, parágrafo a parágrafo ele torce para que o texto lhe diga alguma coisa, para que ele não precise experimentar a sensação auto-corrosiva de vergonha ao elogiar o autor seu amigo no bar. Não há quem prefira ser hipócrita a ser generoso, mas claro que estou falando do que vejo – para minha perplexidade, ouvi dizer que por aí também existe inveja, rancor, mesquinharia.

Sobre críticas ruins – Evidentemente que uma resenha positiva dá uma certa alegria, assim como uma negativa pode estragar a manhã (e o início da tarde, talvez), mas a importância disso é um tanto relativa. De tanto ser cumprimentado por textos que me desancavam, não foi difícil concluir – surpresa – que a maioria das pessoas não lê críticas, ou lê sem muita atenção, ou lê mal. Daí que devemos torcer apenas para que essas críticas a) saiam na imprensa escrita, e não na Internet, onde vão nos assombrar via Google pelo resto da vida; b) tenham títulos e chamadas meio neutros; c) deixem a cacetada lá para o penúltimo parágrafo ou coisa assim: porque aí, numa silenciosa e apoteótica vingança nossa, a chatice, cretinice e irrelevância do crítico que fala mal da gente – os que elogiam são sempre ótimos – afastará o leitor bem antes.

OI, RICARDO. ESSA FOTO É MUITO BACANA.

É o que eu escreveria se tivesse o e-mail do Ricardo Alves, dono da foto que é papel de parede do meu laptop há 2 meses. Mas no site que peguei o registro tão bonito feito na Ilha do Rio Doce (Caratinga/MG), não há informações sobre o fotógrafo que suponho ser mineiro e gostar de carros antigos. Porque ele também tirou uma de pessoas sorridentes dentro de um Galaxie conversível.

Mas essa é mesmo muito bacana, né?



Thursday, August 27, 2009

COPA FEST

No Beco das Garrafas, onde nasceram a bossa nova e o samba jazz no Rio, tocavam os pianistas João Donato e Osmar Milito, o baixista Sérgio Barrozo, Paulinho Trompete e o clarinetista Paulo Moura nos anos 50 e 60. O Copa Fest está reunindo esses músicos de sexta a domingo no Copacabana Palace. Venda de ingressos aqui, rola meia entrada.

Amanhã a festa começa com

SEXTA, às 20h – David Feldman Trio e Gabriel Grossi

David Feldman reinventa uma formação completamente inspirada no Beco. Pianista, David será acompanhado por Sérgio Barrozo no baixo e Paulo Braga na bateria. Barrozo já tocou com todo mundo, de Egberto Gismonti a Caetano Veloso, e fez parte do legendário Rio 65 Trio, com Dom Salvador e Edison Machado. Braga também é bastante requisitado. Gravou o sensacional ‘Elis & Tom’, em 1973,e tocou muitos anos com Tom Jobim. David Feldman reproduz com alta fidelidade o som que nasceu e alcançou a maioridade no Beco das Garrafas. O gaitista Gabriel Grossi, elogiado pelos ases do instrumento, fará uma participação especial.

SEXTA, às 23h – Paulinho Trompete e Banda Sambop

Paulinho Trompete & Banda Sambop é a essência do Becodas Garrafas. Baseado no seu recente disco, ‘Tema feliz’, em homenagem ao grande compositor e violonista Durval Ferreira, este show mostra o seminal repertório que teve gravações históricas dos grandes nomes do jazz. Hamleto Stamato (piano), Ney Conceição (contrabaixo), Widor Santiago (saxofone) e Erivelton Silva (bateria) formam a Banda Sambop. O nome traduz com fidelidade a síntese entre o samba e o jazz, que continua sendo recriada ao vivo pela sensibilidade dos músicos.



IREI.

Thursday, August 20, 2009

SATURNUS
Elisa queria que as pintas que marcam o norte e o sul das suas pernas fossem vírgulas. Assim o homem que quisesse beijar suas coxas, que têm aproximadamente nove deliciosas pintas cada, teria tempo pra pensar que se ousa ir da Terra à Lua em 257.000 km/h só gozaria depois de sete meses quando chegasse ao planeta que rege o signo de Elisa. Mas ela nunca disse isso pra ninguém, só anotou essa matemática romântica no canto de uma página da Galileu. Revista que provavelmente irá pro lixo amanhã, quando ela reúne todos os recicláveis antes de ir pro trabalho.

No metrô, depois do encontro com Pedro, relembrou tudo o que diria se ele não tivesse escolhido o outro lado da plataforma. Elisa sabia que era a última vez que perdoaria aquele homem por não ter entrado no mesmo vagão e poupado a raiva que ela sentia da rolha do chardonnay barato que comprou pensando que estaria feliz agora e nem ligaria para a rolha do chardonnay. Mas realmente ter privado uma ou duas horas que Elisa queria pra dizer que não tem mais medo do amor era absurdo perto de uma espera de sete meses, por exemplo.

Ela acredita que a graça de ser um animal que pode se demitir do tempo da natureza quando bem entende, é essa. Não esperar. Não ir pra casa. Não girar quando é possível ter dois corpos eufóricos na mesma cama, concordando que não fazem a mínima idéia de como estarão naquele lençol amanhã mas desejam e desejam e desejam, pagando R$2,60 que é a mesma merda de tarifa que obrigou o seu silêncio.

Eu observo Elisa que, nessa hora, já brigou com os dentes pela rolha e anota em papéis aleatórios frases simples sobre como é bom ter pelo menos uma noite fria pela frente, existir algo pra beber na geladeira, reconciliar-se com a aflição, encarar que a vida é um jogo mais complicado que a natureza. Como se escrevesse uma história em quadrinhos boba, mais óbvia que um romance de 400 páginas que enfeite as causas da alergia que vejo daqui aparecer no norte e sul de suas pernas antes brancas.

Wednesday, August 19, 2009

Quando saiu "dente de leão" e dei algumas entrevistas, a pergunta recorrente era sobre a ligação declarada do meu trabalho com música. Passei uma tarde com Ronaldo Machado, um dos editores da Éblis, comentando sobre isso. Na minha poesia deixo escapar nomes de músicos, às vezes trechos de letras. Mas não tem mistério. Cada um rouba inspiração de algum lugar, ou de vários. Tenho hábito de chegar em casa e ligar o som, é a primeira providência pra deixar de lado todas as preocupações e o cansaço. Me animo quando uma voz gostosa toma conta da casa, consegue conversar comigo de alguma maneira, fico muito inspirada. Gostaria muito de cantar, mas já me disseram que eu só acho o tom legal da minha voz depois de algumas garrafas de vinho e não estou afim de ser uma Amy Winehouse sem talento quando está sóbria. Valeu. Existem os abençoados, alguns posso ter por perto. Já sou bem feliz como fã. Gosto de ler sobre música, descobrir alguém fenomenaaal e mostrar pra outras pessoas. Há uns dias sai com um casal de amigos, dançamos soul a madrugada toda e no dia seguinte um deles falou que teve um momento na pista que ele teve certeza que deveria trabalhar com música, que fotografia não estava com nada, que o DJ tinha colocado uma música que mexeu com ele e algumas certezas sobre a vida foram aparecendo, rolou uma euforia. Música tem esse poder. Eu sigo com os downloads diários, fuçando myspaces, lendo blogs sobre música (esse é ótimo), coletando dicas por aí, gravando CDs com descobertas hiper mega fantásticas. Dó máxima da alma que prefere TV.



Então, a boa para os ouvidos será o Copa Fest. Leia sobre no blog da Mônica Ramalho. Não vou perder. Sonzeira + vista foda do Copacabana Palace?


Tuesday, August 18, 2009

I'M GOING WHERE THE WATER TASTES LIKE WINE

Cristiano Crochemore e Otávio Rocha (Blues Etílicos) estão tocando todas as segundas no Bukowski versão botequim e nas terças no Bar do B que fica no Mercadinho São José. Mandam muito bem. Ontem foi classe e hoje eles estão do lado de casa, não dá pra perder. Sugeri a inclusão de Canned Heat no repertório. Blues Traveler disseram que nem pensar. Hoje a mesa será bonita novamente, convoquei só easy riders. Rá!


Serviço:

Bukowski Botequim. Rua Sorocaba, 625, Botafogo, 3936-9880. Show começa às 20h. Couvert art: R$ 7,00 (opcional).

Bar do B: Rua das Laranjeiras, 90.



Friday, August 14, 2009

HÉLIO JESUÍNO FALA SOBRE SUÍTE ICONOCLASTA



Acho bom vê-lo rasgar as páginas do atlas e achar ali imagens tão fortes. Ironia é para grandes como o Hélio. Não é qualquer um que pode se meter com ela sem enfiar os pés no raso, no bobinho. O trabalho do Hélio é naturalmente provocador. Não foi feito pra parede de galeria. Não se esforça, não cumprimenta. Pelo menos comigo, arranca confissões.

Thursday, August 13, 2009


"O amor não tem nada a ver com o coração, esse órgão repugnante, espécie de bomba d'água lotada de sangue. O amor aperta primeiro os pulmões. Não se deveria dizer 'estou com o coração partido' e sim 'estou com os pulmões sufocados'. O pulmão é o orgão mais romântico: todos os amantes pegam tuberculose; não é por acaso que foi dessa doença que Tchekhov, Kafka, D.H. Lawrence, Frédéric Chopin, George Orwell e Santa Tereza de Lisieux morreram; quanto a Camus, Moravia, Boudard, Marie Bashkirtseff e Katherine Mansfield, teriam escrito os mesmos livros sem essa infecção? Além disso, ao que se sabe, a Dama das Camélias não morreu de infarto do miocárdio; essa punição é reservada aos arrivistas estressados, não aos sentimentais apaixonados."

(29,99 do Fredéric Beigbeder. esse trecho é uma exceção do climão sacana do livro.)

Wednesday, August 12, 2009

"A cidade de vidro" de Auster por Duytter & Jef Aérosol, 2008


Auster is brilliant at evoking our contemporary urban dystopia: lives without money, confined to single rooms; the stable balance of human relations torn apart or imprisoned by numbing regularity. He is a lapidary recorder of our anxieties, from the petty annoyances of the everyday, to insomniac nights, to the maw of loneliness, to the scary fluidity of identity, to the always lurking possibility of cataclysm.

Mais aqui.

Tuesday, August 11, 2009


choram aqui somente árvores
delas se alimentam
as noites cegas em que me perdi
com suas podas -
há dois anos
carros passam na mesma velocidade
como os amores nas fases de Gávea
lentamente transitórios, pouco mais que
vinte caixas de bolinhas, três novos prédios
e essa população inédita no mesmo bar mais barato do bairro
(onde estão os édens improvisados?
as noites foram feitas pra isso, imbecis)
sento nesse enorme sol
e sonho só do tronco pra cima
de vez em quando anotando a bizarrice do mundo
(que não para de girar)
como uma pessoa sozinha deve estar fazendo agora
na Nova Caledônia, em Garopaba ou em Étretat


7/8/9
sem reflexão e revisão
apenas transcrevi de um papel solto.

Monday, August 03, 2009

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