SILÊNCIO
Vi há pouco a vida estendendo os braços e
eles saíram por uma porta neoclássica
tão esguia quanto minha novata lucidez.
Penso em como são importantes os espasmos,
não há vergonha do que por ser contrário,
me faz agora querer-te com paciência.
Essa é a ordem de todas as coisas e das moças.
E dos pássaros.
Depois de uma pausa de efeito dramático
já com o retalho de terra limpo de detritos
afundamos o pescoço, inclinamos a cabeça
e seguimos marcando tempos suaves no compasso.
Parece silêncio.
E só assim posso pedir o amor com plenitude.




