Perhaps I was born kneeling, born coughing on the long winter, born expecting the kiss of mercy, born with a passion for quickness and yet, as things progressed, I learned early about the stockade or taken out, the fume of the enema. By two or three I learned not to kneel, not to expect, to plant my fires underground where none but the dolls, perfect and awful, could be whispered to or laid down to die.
Now that I have written many words, and let out so many loves, for so many, and been altogether what I always was— a woman of excess, of zeal and greed, I find the effort useless. Do I not look in the mirror, these days, and see a drunken rat avert her eyes? Do I not feel the hunger so acutely that I would rather die than look into its face? I kneel once more, in case mercy should come in the nick of time.
O grande amor não acontece para a maioria. Muitos encontros podem seguir a vida inteira por acordos e afinidades. O que não é de todo ruim, evita-se fadiga e o exercício de tolerância. A coragem é poupada também, como quando optamos por não saltar de asa delta. Outros sentimentos podem se maquiar de grande amor, surgirem sem pontadas no peito, todos inteiramente serenos, dando a impressão de completude: a tampa da panela, a metade da laranja, o sapato velho para o pé cansado. Não viver um grande amor é uma opção, inclusive é aceitável. Afinal, a gente também pode ter um emprego meia boca pra pagar o aluguel e adiar solenemente a viagem aos vulcões adormecidos de Lanzarote. Sem ter vivido um grande amor ainda podemos dividir uma casa com alguém e ter filhos. O outro será admirado, respeitado e terá direito a afagos e atenção. A tranquilidade é a constante que não existe em um grande amor. E todos nós sabemos quando não estamos vivendo um grande amor pela quietação do organismo: tudo está funcionando muito bem, obrigada. O grande amor é um filho da puta, seu sapato não tem a numeração que a gente precisa. Provavelmente o grande amor só fará as mais doces promessas quando bêbado, o saldo dele no banco é negativo e ele tem uma maniazinha horrenda. Aquela que só quem teve ou tem um grande amor sabe o quanto é detestável aquilo que ele faz. O grande amor, depois da primeira revista, parece somente dar prejuízo e durante noites e noites e noites perguntamos para nós mesmos se é um grande amor. Original, como o pecado, o surgimento das imperfeições humanas. Mas descobrimos rápido. E a partir daí basta preencher essa fichinha e doar cinco litros de sangue por dia. Por sorte, não teremos que subtrair o que antes eram dois dentro da gente. Vinícius escreveu que para viver um desses é preciso peito de remador. Adélia Prado diz que ele é feinho, acho que às vezes o grande amor usa a mesma camiseta durante três dias, deixa a cera de depilação na pia ou nem corta os pêlos do nariz. Mas ela também diz que uma vez encontrado, é igual fé, não teologa mais. O grande amor, quando velho, se veste de intimidade mas ainda dá disparos de grande amor. Ele é incansável, não tenta 70 x 7 como a conta que disseram existir pro perdão, ele insiste em dízimas periódicas. E o grande amor não faz o que fala, mas faz muito bem o que ficou no silêncio. Porém sempre existirá um momento crucial. Porque além de encontrar um grande amor, precisa ser decidido se ele pode subir até o andar da sua casa. Se vai caber na sua mala, se ele pode dividir a mesa com seus amigos e achar vários deles chatos, ouvir samba enquanto tudo que você queria era I've got you under my skin, se ele pode reclamar do seu cigarro, cobrar sua presença. Porque o grande amor precisa viver junto, precisa checar sempre o bilhete premiado (tudo bem que às vezes o bilhete fica com cara de sentença), porque o grande amor não acontece pra maioria. Aconteceu com você. Então é necessário decidir se você quer entender que precisa mudar isso e aquilo pra viver um grande amor, poxa, nem tudo na vida teve 90% de aprovação. E se decidir vivê-lo: coisas prateadas espocam, seu olho vê dentro de diamantes, o mar cabe na cama, acorda-se porquinho da índia, nega-se leis da gravidade facilmente (Chagall sabia disso), surgem comparações dementes do grande amor com summer nights in Spain, Garbo's salary e docinho de coco, além da criação natural e imediata de um dialeto nunca visto pela humanidade e nem por você antes de deixar o grande amor subir até o seu andar. E as rosas falam sim, o que é bacana também.
Você nem imaginava. Ela trabalha em média nove horas e na frente de sua mesa existe um grande espelho. Dele ela vê o terceiro andar de um prédio e fuma ao mesmo tempo que a garota na varanda sempre às quatro. Elas ficam próximas só porque estão perdidas. E o vão entre as construções é bobo, não separa de quem é aquela solidão ali. Mas também não ilude. Se cair dessa altura, morre.