Saturday, June 26, 2010
Saturday, June 12, 2010
TRAVESSIA
"Depois de procurar por uma eternidade...". Janaína me conheceu hoje. Passei pela Garcia D'Ávila, segui para a livraria e lá estava uma analista de sistemas que ama Pablo desde 2006. Ela quer se mudar pra Índia, "sempre foi meu sonho, agora tenho conhecidos em Nova Dhéli. É a hora!", mas o namorado não pode ir porque assumiu o tão esperado cargo na empresa e quer se casar com ela. Aqui. No Rio de Janeiro. Depois de difíceis conversas com Pablo, o que ela sabe é que não será ele quem a beijará durante o entardecer de Gokarna. Sugeri um café. Enquanto subíamos a escada eu soube que me lembraria da manhã de hoje para sempre.
Os ritos hindus e o auto perdão (por já ter feito uma escolha) faziam com que ela gesticulasse exaustivamente. Eu, que chamei sua atenção pela conversa eufórica com um dos atendentes, estava ali pra validar a existência de uma mulher em pleno 12 de junho comprando guias turísticos. Talvez Pablo, naquele momento, estivesse comprando flores. Tentei não me lembrar dos filmes (muito menos da minha vida): ela vai embora, ele fica mal, ela se arrepende mais tarde. Ele a aceita de volta OU NÃO. Começamos a divagar sobre a recorrência do amor. "Pois é, Janaína, quantas vezes o amor acontece?".
Me dei conta, talvez pela primeira vez, que vivemos sob o Alerta da Raridade. Estrela cadente - eclipse - cometa. O céu do amor de Éluard. Nenhuma novidade. Quantas Ninas Simones foram necessárias para que eu acreditasse que "the birds in Maytime would sing a lonely refrain" caso desistisse de brigar pela extensão do acontecimento amoroso? Uma. Janaína não se importava com todas essas pragas, obviamente menos com os pássaros de Maytime. Sua busca eterna, após o segundo café e a possibilidade de dividir comigo as expectativas sobre o país asiático, parecia significar uma noite no Baixo Leblon onde conhecera Pablo. Depois foram apenas quatro anos de namoro. Em apenas um lance de escada, eu estava diante de uma pessoa que gargalharia de quase todas as minhas madrugadas.
"Eu disse que ele poderia me deixar mas NUNCA acharia alguém que amasse todas as suas limitações mais do que eu". "Tentei abrir a porta da casa dele com a chave da minha depois de beber uma garrafa de uísque", ela riu. "Antes pintei meu cabelo de loiro", ela não acreditou. Apresentei os livros que comprei, falei sobre o título que eu e o atendente achávamos genial. Expliquei o motivo de estar com dois laptops. Enquanto ela lia a orelha de cada um, tentando imaginar qual graça teria um personagem de Nova Iorque se não fosse realmente alguém em Nova Iorque, pedi meu último café. Tentando revisitar as últimas boas lembranças:
1. seu cheiro é de alguma fruta tropical
2. sexo com você é o melhor. tem amor.
3. te amo,
mas não é a mesma coisa.
Todos nós temos Gokarna. O caminho mais longo até chegar em casa.
Como se fosse preciso escalar uma montanha, atravessar o oceano, até entender que é só pagar uma passagem de metrô. De avião.
"Depois de procurar por uma eternidade...". Janaína me conheceu hoje. Passei pela Garcia D'Ávila, segui para a livraria e lá estava uma analista de sistemas que ama Pablo desde 2006. Ela quer se mudar pra Índia, "sempre foi meu sonho, agora tenho conhecidos em Nova Dhéli. É a hora!", mas o namorado não pode ir porque assumiu o tão esperado cargo na empresa e quer se casar com ela. Aqui. No Rio de Janeiro. Depois de difíceis conversas com Pablo, o que ela sabe é que não será ele quem a beijará durante o entardecer de Gokarna. Sugeri um café. Enquanto subíamos a escada eu soube que me lembraria da manhã de hoje para sempre.
Os ritos hindus e o auto perdão (por já ter feito uma escolha) faziam com que ela gesticulasse exaustivamente. Eu, que chamei sua atenção pela conversa eufórica com um dos atendentes, estava ali pra validar a existência de uma mulher em pleno 12 de junho comprando guias turísticos. Talvez Pablo, naquele momento, estivesse comprando flores. Tentei não me lembrar dos filmes (muito menos da minha vida): ela vai embora, ele fica mal, ela se arrepende mais tarde. Ele a aceita de volta OU NÃO. Começamos a divagar sobre a recorrência do amor. "Pois é, Janaína, quantas vezes o amor acontece?".
Me dei conta, talvez pela primeira vez, que vivemos sob o Alerta da Raridade. Estrela cadente - eclipse - cometa. O céu do amor de Éluard. Nenhuma novidade. Quantas Ninas Simones foram necessárias para que eu acreditasse que "the birds in Maytime would sing a lonely refrain" caso desistisse de brigar pela extensão do acontecimento amoroso? Uma. Janaína não se importava com todas essas pragas, obviamente menos com os pássaros de Maytime. Sua busca eterna, após o segundo café e a possibilidade de dividir comigo as expectativas sobre o país asiático, parecia significar uma noite no Baixo Leblon onde conhecera Pablo. Depois foram apenas quatro anos de namoro. Em apenas um lance de escada, eu estava diante de uma pessoa que gargalharia de quase todas as minhas madrugadas.
"Eu disse que ele poderia me deixar mas NUNCA acharia alguém que amasse todas as suas limitações mais do que eu". "Tentei abrir a porta da casa dele com a chave da minha depois de beber uma garrafa de uísque", ela riu. "Antes pintei meu cabelo de loiro", ela não acreditou. Apresentei os livros que comprei, falei sobre o título que eu e o atendente achávamos genial. Expliquei o motivo de estar com dois laptops. Enquanto ela lia a orelha de cada um, tentando imaginar qual graça teria um personagem de Nova Iorque se não fosse realmente alguém em Nova Iorque, pedi meu último café. Tentando revisitar as últimas boas lembranças:
1. seu cheiro é de alguma fruta tropical
2. sexo com você é o melhor. tem amor.
3. te amo,
mas não é a mesma coisa.
Todos nós temos Gokarna. O caminho mais longo até chegar em casa.
Como se fosse preciso escalar uma montanha, atravessar o oceano, até entender que é só pagar uma passagem de metrô. De avião.








