



ANDRÉS
Ontem sonhei que via Andrés pela primeira vez.
E era melhor que a realidade
Duas ninfetas desciam pela rua dentro de sua jaqueta
como se pudessem ser o tórax
que antes, de ar e flores, era o signo desta breve vida.
Falso. Devo corrigir. Porque simplesmente não acho no mapa:
Fitz Roy y Gago Coutinho.
Chamo a visão e logo
decido romper com as veias da América Latina.
Ele geme, peço para esperar. Vou gozar junto.
Vamos viver de arroz e feijão, como Andrés e sua política.
Mas não me peçam para escrever sobre amor:
é tarde e usaram a inocência
para resignificar la
liberdad.
Mas deslumbra-te Andrés, deslumbra-te
Preciso me desculpar pela insensatez.
Ah, esses meus imperativos.
Ah, quando uso, AH. Esses capricornianos vivem na Terra
como profetas das águas passadas, não tem jeito que dê.
Tem certeza que deseja apagar esta publicação?
Não, Andrés. Meu pai está rouco, dirigindo a 50 quilômetros por hora
o motor deu merda
e ele vai ficar longe de casa até ganhar o tempo e as contas.
Minha mãe chora pelo telefone. Eu não me comovo, porque
você roubou a vontade
de me emocionar.
Sou o dia mais frio do ano.
Andrés, minha mulher chora. Mas você é tão decifrável neste sonho que eu
me acomodo tranquilamente
entre meus seios, essa Toda América Gelada. E respiro mais forte que ontem.
Por todos os grandes homens que podem estar na minha cama.




